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Descrição da Doença - Cólera

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Quinta, 27 de Março de 2014, 14h45 | Última atualização em Sexta, 20 de Abril de 2018, 12h03


Descrição da Doença

Agente etiológico

A cólera é causada pelo Vibrio cholerae toxigênico dos sorogrupos O1 e O139, uma bactéria (bacilo) gram-negativa, aeróbia ou anaeróbia facultativa com flagelo polar. Outros sorogrupos (não O1 e não O139), toxigênicos ou não, assim como cepas não toxigênicas dos sorogrupos O1 e O139, também podem causar diarreia, porém menos severa que a cólera e sem potencial epidêmico.

O Vibrio cholerae O1 pode ser classificado em dois biotipos, Clássico e El Tor, os quais apresentam diferenças em propriedades fenotípicas e genotípicas, patogenicidade e padrões de infecção e sobrevivência nos hospedeiros humanos.  As estirpes de El Tor são frequentemente associadas a infecções assintomáticas, menor taxa de mortalidade, melhor sobrevida no ambiente e no hospedeiro humano e maior eficiência da transmissão pessoa a pessoa, quando comparadas às estirpes clássicas, que causam manifestações clínicas mais graves. 

Reservatório

O Vibrio cholerae tem como reservatórios o homem (portador assintomático) e o ambiente aquático. Como faz parte da microbiota marinha e fluvial, pode se apresentar de forma livre ou associado a crustáceos, moluscos, peixes, algas, aves aquáticas, entre outros, incluindo superfícies abióticas. Algumas dessas associações permitem que a bactéria persista no ambiente mesmo quando não há casos da doença na população. Além disso, possibilitam a ocorrência de transmissão da cólera pelo consumo de peixes, mariscos e crustáceos crus ou mal cozidos.

Modo de transmissão

A transmissão da cólera ocorre por via fecal-oral e pode ser direta ou indireta:

  • Transmissão direta – ocorre pela contaminação pessoa a pessoa.
  • Transmissão indireta – ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

Período de incubação

Varia de algumas horas a 5 dias. Na maioria dos casos, esse período é de 2 a 3 dias.

Período de transmissibilidade

Perdura enquanto houver eliminação do agente etiológico nas fezes, o que ocorre, na maioria dos casos, até poucos dias após a cura. Para fins de vigilância, o período aceito como padrão é de 20 dias.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas mais frequentes da cólera são diarreia e vômitos com diferentes graus de intensidade. Também pode ocorrer dor abdominal e, nas formas severas, cãibras, desidratação e choque. Febre não é uma manifestação comum. Nos casos graves, mais típicos, aproximadamente 5% dos infectados, o início é súbito, com diarreia aquosa, abundante e incoercível (difícil de controlar), com inúmeras dejeções diárias. Nesses casos, a diarreia e os vômitos determinam uma extraordinária perda de líquidos, que pode ser da ordem de 1 a 2 litros por hora. Tal quadro leva rapidamente à desidratação intensa e deve ser tratado precoce e adequadamente, para evitar a ocorrência de complicações e óbito.

Complicações

As complicações da cólera são decorrentes da depleção hidrossalina, imposta pela diarreia e pelos vômitos, e ocorrem mais frequentemente em indivíduos idosos, diabéticos, desnutridos, portadores do vírus HIV e com patologia cardíaca prévia.

A desidratação não corrigida levará à deterioração progressiva da circulação, da função renal e do balanço hidroeletrolítico, causando dano a todos os sistemas do organismo. Como consequência, podem ocorrer choque hipovolêmico, necrose tubular renal, atonia intestinal, hipocalemia (levando a arritmias cardíacas) e hipoglicemia (com convulsões e coma em crianças). Em gestantes, o choque hipovolêmico pode induzir a ocorrência de aborto e parto prematuro.

Sintomas

Diarreia e vômito são as manifestações clínicas mais frequentes. Os principais sintomas são variados e vão desde infecções inaparentes (sem sintomas) até casos graves. As fezes podem se apresentar com aspecto água amarela-esverdeada, sem pus, muco ou sangue. Em alguns casos pode haver, de início, a presença de muco. As fezes podem apresentar um aspecto típico de “água de arroz”. A diarreia, na maioria dos casos, é abundante e incontrolável, e o doente pode apresentar inúmeras evacuações diárias, o que pode levar a um estado de desidratação grave e choque.

 

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