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1º Congrepics aborda diálogo entre Biomedicina e saberes tradicionais indígenas

Escrito por Alessandra Bernardes | | Publicado: Quarta, 14 de Março de 2018, 17h32 | Última atualização em Quarta, 14 de Março de 2018, 17h34

O tema esteve presente em três mesas no segundo dia de programação do Congresso

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Fotos: Alejandro Zambrana/Sesai-MS

Saúde indígena é um temas do 1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Complementares e Saúde Pública

A saúde indígena foi tema de três mesas de discussão do 1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Complementares e Saúde Pública, na tarde dessa terça-feira (13), no Rio de Janeiro (RJ). Na mesa paralela sobre Gestão e Financiamento das Práticas Integrativas e Complementares (PICs), a coordenadora-geral de Planejamento e Orçamento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai/MS), Regina Célia Rezende, apresentou os eixos que fundamentam o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (Sasisus), com destaque para as ações voltadas à educação permanente dos trabalhadores que compõem as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSIs), que buscam o desenvolvimento de competências para a atuação intercultural.

Entre as iniciativas recentes da Sesai/MS, destaca-se o curso que está sendo ofertado a trabalhadores de formação superior, na modalidade à distância, e também o curso de formação para Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN). O primeiro é fruto de uma parceria entre a Sesai/MS e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o segundo começa a ser oferecido nos próximos meses, para trabalhadores em atuação nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Estado do Amazonas (AM). Está em fase de desenvolvimento, ainda, o curso “Interculturalidade em Rede”, que está sendo elaborado por técnicos da Sesai/MS e que será disponibilizado permanentemente pela internet.

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Rezende tratou ainda das ações que buscam a articulação dos saberes não só na atenção básica, mas também na média e na alta complexidade. Exemplo destas práticas é a instituição do Incentivo de Atenção Especializada aos Povos Indígenas (IAEPI), que prevê o repasse de recursos suplementares a unidades hospitalares que adequarem seu atendimento para a assistência aos povos indígenas, com disponibilização de tradutores para melhor comunicação com os pacientes ou mesmo criação de ambulatórios especializados na atenção a estes povos. Para a inclusão de fitoterápicos na relação de medicamentos utilizados na saúde indígena, a Sesai/MS também tem fomentado iniciativas locais para a implementação de processos de produção e uso destes medicamentos, como está acontecendo no DSEI Leste de Roraima, onde já foram desenvolvidas 20 fórmulas a partir dos saberes tradicionais das etnias locais.

Já na roda de conversa sobre experiências de sistemas indígenas de saúde e de serviços de atenção, foram apresentados trabalhos como o que vem sendo desenvolvido com o povo Zo’é, no Pará (PA), e com os Enawenê Nawê, em Mato Grosso (MT), em que o trabalho em saúde tem limites claros de respeito às tradições de saúde dos povos. As técnicas de enfermagem Sueli Brito e Sandra Pena explicaram que, além do respeito à cultura, outro princípio norteador do trabalho da equipe paraense é a resolutividade na aldeia, evitando ao máximo a saída de indígenas para tratamento em pontos de atenção do Sistema Único de Saúde. Por meio de ações de alguns profissionais voluntários, são realizados até alguns procedimentos cirúrgicos na Terra Indígena Cuminapanema, onde vivem os Zo’é.

Na mesma mesa, Iolanda Macuxi, que coordena o projeto de desenvolvimento de fitoterápicos no DSEI Leste de Roraima, e também o enfermeiro Ricardo Solleti, acompanhado de Ameiro e Kolarenê Anawenê Nawê, narraram a experiência de contato, nos anos 70 do século passado, e como funciona a assistência em saúde na aldeia. Já o psicólogo Edinaldo Xukuru detalhou o trabalho desenvolvido pelo DSEI Pernambuco, de diálogo permanente com pajés e parteiras das etnias presentes no Estado. O casal Cristine Takua e Carlos Papá, da etnia Guarani, contaram a experiência pessoal que viveram quando a mãe de Carlos, Txai Doralice, precisou ser internada em uma unidade hospitalar, onde não podiam consumir os alimentos tradicionais de sua etnia ou contar com qualquer adequação intercultural para o seu acolhimento.

No final da tarde, a mesa paralela de Medicina tradicional indígena: diferentes perspectivas integradas de Cuidado e Ser contou com a participação das lideranças indígenas Aílton Krenak, Davi Kopenawa Yanomami, Francisco Apurinã, Edna Shanenawa, William Xakriabá e Nina Katoquin. Nas diversas falas, várias posições eram consenso: a existência de uma desconsideração dos saberes indígenas pelo meio científico e, quando considerados estes saberes, a possibilidade de serem usurpados por pesquisadores; a relação intrínseca entre a saúde e a natureza e a ameaça que a degradação ambiental representa para os povos indígenas; a necessidade de preservar os saberes indígenas e resgatar os que se perderam pela falta de transmissão oral; e a associação entre saúde e proteção territorial. “Saúde para a gente envolve tudo, o que a gente come, o que a gente fala, o que a gente vive”, resumiu Xakriabá.

Por Beth Almeida, do Nucom Sesai
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