Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro

Dia D

Início do conteúdo da página

Com "Mais Médicos," índio formado em medicina realiza sonho de atender comunidades indígenas

Escrito por Leonardo | | Publicado: Sexta, 24 de Janeiro de 2014, 11h47 | Última atualização em Terça, 04 de Fevereiro de 2014, 16h15

O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Leste de Roraima abrange uma área de aproximadamente quatro milhões de hectares com cerca de 42 mil índios de 7 etnias diferentes. Fica no extremo norte e leste do estado e faz fronteira com a Venezuela e a Guiana. A falta de médicos nas aldeias que compõem o Distrito é um problema que afeta milhares de índios brasileiros. Agora, com o Mais Médicos, esta realidade começa a mudar. O DSEI do Leste de Roraima recebeu dois profissionais do programa e existe a expectativa de receber mais 10 em 2014.
 
“Temos a disponibilidade de contratar 11 médicos desde 2011, mas nunca conseguimos passar de quatro médicos para atender esses Povos. Faltam profissionais que queiram trabalhar em áreas remotas”, explica Dorotéia Reginalda Gomes, coordenadora do DSEI do Leste de Roraima. Ela disse que sempre procurou flexibilizar bastante a carga horária para tentar atrair médicos.
 
Otan de Lima Pereira, 31 anos, nasceu na área indígena Raposa Serra do Sol no extremo norte de Roraima. Otan é da etnia Macuxi, a mais populosa da região. Quando criança, já pensava em ser médico. “A saúde da minha comunidade era muito precária. Quase não tinha visita médica, era só enfermeiro. E até hoje pessoas morrem nessas áreas por doenças que podem ser prevenidas”, contou Otan, que criou o desejo de ser médico ao viver essa realidade.
 
“Gostaria de estudar medicina aqui mesmo em Roraima, mas infelizmente não foi possível. No período que eu tentei, em 2002 e 2003, eram apenas 20 vagas para 30 mil candidatos aqui na Universidade Federal de Roraima (UFRR)”, justifica Otan. Foi então que surgiu a oportunidade de estudar medicina na Venezuela. Lá, Otan formou-se médico da família. Agora, atua pelo Mais Médicos e é responsável pelos polos bases de Pedra Branca e Maturuca, regiões remotas do estado que só se chega de carro 4x4.
 
Já na primeira temporada na comunidade, ele atendeu uma senhora com fortes dores na barriga e diagnosticou uma apendicite. Ela foi encaminha ao hospital e operada. “Se não fosse atendida logo e o apêndice tivesse estourado, talvez ela fosse a óbito”, acredita Juliana Rithil, técnica de enfermagem que trabalha no polo base de Pedra Branca. Otan conta que percebeu alguns problemas mais recorrentes em Pedra Branca. “Os problemas de saúde mais comuns são a diabetes, dermatites e hipertensão arterial”, enumera o médico.
 
Além de Otan, uma equipe de profissionais de saúde com enfermeiros, dentista, agentes de saúde, entre outros, faz a assistência da saúde da população. Juliana disse que desde que começou a trabalhar na comunidade, há um ano e um mês, só um médico havia passado por lá e durado somente cinco dias. Agora ela espera que Otan fique na comunidade. “Ele fez muitos atendimentos, gostamos muito dele. É uma pessoa boa para trabalhar nesta área. Por ser indígena ele sabe trabalhar com indígena”, comenta Juliana.
 
“Os médicos não indígenas enfrentam algumas dificuldades por não conhecerem as culturas e costumes desses povos. Aqui o costume é sempre ir primeiro ao curandeiro, pajé, benzedeiro e só depois vão até nós”, conta Otan. “Procuro orientar as pessoas para que se a dor for física que nos procure primeiro. Mas se a doença for espiritual não tem problema, o pajé pode resolver”, explica.
 
O exemplo de Otan mostra que formar médicos da própria região e comunidades atendidas pode ser uma forma de fixar esses profissionais nas comunidades mais afastadas. “Gostaria de trabalhar sempre nesta região porque aqui eu conheço os povos, as pessoas, as lideranças. Aqui está minha origem, minhas raízes e me identifico muito com essa área”, ressalta o indígena.
 
Mais Médicos para os Povos Indígenas - Quarenta e sete profissionais do Programa Mais Médicos chegam na próxima semana a 16 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Esses novos médicos somam-se a 75 que já estão atuando nas aldeias, totalizando 122. O anúncio foi feito durante a abertura da 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (5ª CNSI), realizada na noite de segunda-feira (2/12), em Brasília (DF) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Com a chegada de novos profissionais, o programa beneficiará aproximadamente 212 mil indígenas. Além dos profissionais garantidos pelo programa, a assistência à saúde indígena é feita por 264 médicos que atuam nos 34 DSEI.

* Blog da Saúde

Fim do conteúdo da página