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Saúde abre Seminário Nacional de Pró-Residência Médica com palestra de Mário Scheffer

Escrito por Gustavo Frasão | | Publicado: Sexta, 27 de Setembro de 2019, 18h54 | Última atualização em Sexta, 27 de Setembro de 2019, 18h54

O evento discutiu as prioridades do programa para os próximos anos

Foto: Eduardo Grisoni

O Ministério da Saúde (MS) promoveu, nesta segunda-feira (23), a abertura do Seminário Nacional Pró-Residência Médica, em Brasília –DF. O evento marcou os primeiros dez anos do Programa Nacional de Apoio à Formação de Médicos Especialistas em Áreas Estratégicas (Pró-Residência Médica), e teve entre os objetivos discutir e analisar as prioridades do programa para os próximos anos, além de construir estratégias de potencialização dos resultados da formação em residências médicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Mayra Pinheiro, participou da mesa de abertura e considerou o momento oportuno para colocar em discussão temas importantes quanto às condições da formação e qualificação médica no Brasil. “Priorizar a educação de qualidade tornou-se, para nós da SGTES, uma meta. O objetivo comum é trabalhar, oferecendo educação e assistência de qualidade aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, precisamos rediscutir os novos rumos das residências médicas do país. Precisamos valorizar aqueles que dedicam seu tempo para trabalhar e se especializar, em benefício da população brasileira”, salientou Mayra.

O Programa Nacional de Apoio à Formação de Médicos Especialistas em Áreas Estratégicas foi lançado em 2009, com o intuito de incentivar a formação de especialistas, na modalidade Residência Médica, de especialidades e áreas de atuação, priorizando regiões que apresentem vazios de formação assistencial. O diretor do Departamento de Gestão do Trabalho em Saúde (DEGTS/SGTES), Alessandro dos Anjos Vasconcelos, ressaltou os desafios encontrados, quando se trata de recursos humanos na área da saúde. “Precisamos lembrar que estamos formando seres humanos que vão atender outros seres humanos. Esse profissional tem que estar pronto, precisa ser bem formado, tanto no sentido ético, quanto pedagógico. A contribuição de todos aqui é fundamental para que possamos nos defrontar com a necessidade de treinamento em serviço que tenha uma base pedagógica sólida, que renda frutos e forme bons profissionais”, avaliou Vasconcelos.

Demografia Médica

Após a abertura do Seminário, os participantes foram convidados a assistir à palestra do professor doutor do Departamento de Medicina Preventiva (DMP), da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Mário Scheffer, cujo tema Residência Médica e Médicos Especialistas no Brasil – Expansão da Oferta e Desafios da Pesquisa tratou sobre demografia médica. Scheffer utilizou dados estatísticos nacionais e regionais para orientar os gestores nas decisões que envolvem implementação de políticas e programas públicos referentes à Residência Médica. O estudo de Scheffer revelou um aumento do número de médicos no Brasil: atualmente, são 475.722 médicos -cerca de 2,3 médicos por mil habitantes. A projeção é que em 2020 o número salte para 500 mil.

O professor atribui o aumento à expansão de cursos e vagas de Medicina pelo país. “De 2005 para cá, dobramos o número de profissionais médicos. O Brasil passou por mudanças profundas recentemente, tanto em relação à oferta de cursos e vagas de graduação, como também da expansão de Residências Médicas. É um papel, uma obrigação da universidade, principalmente dos pesquisadores de universidades públicas, contribuir para a compreensão melhor dessa expansão e, a partir daí, orientar o planejamento de ofertas –neste caso de Residência Médica e de especialistas- que atendam, de maneira mais próxima, às necessidades do SUS e às necessidades de saúde da população”, analisou Scheffer.

O pesquisador explicou que objetivo das pesquisas é, principalmente, avançar no dimensionamento da oferta e da demanda de médicos especialistas, para identificar se as políticas, recentemente adotadas e expandidas, estão de acordo com as reais necessidades do país.

Após a palestra, os participantes fizeram considerações sobre a temática. A conselheira do Conselho Federal de Medicina (CFM), Rosylane Rocha, mencionou o adoecimento dos médicos residentes. Segundo a conselheira, os dados crescentes sobre desistência da carreira, aumento do estresse ocupacional, e tentativas de suicídio, têm sido foco de preocupação por parte dos gestores. “O adoecimento dos residentes é uma realidade que merece reflexão.  Precisamos pensar sobre as condições de trabalho e sobre a estrutura que é fornecida para nossos residentes. O cumprimento da carga horária de trabalho e estudo, somado à necessidade de fazer plantão, para complementar seu sustento, têm levado muitos médicos a se afastarem por motivos de estresse, para tratamento de doença mental, além dos índices que apontam para tentativas de suicídio. Precisamos ter um olhar mais cuidadoso com nossos médicos”, sustentou Rosylane.

Cerca de 150 pessoas compareceram ao primeiro dia do Seminário, que teve três dias de duração. Entre os convidados, estiveram presentes representantes do Ministério da Educação (MEC); do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (CONASEMS); representantes da Comissão Nacional de Residência Médica (CNMR); do Conselho Federal de Medicina (CFM); e da Associação Médica Brasileira (AMB).

Por Priscilla Klein, do NUCOM/SGTES
Atendimento à imprensa:
(61) 3315.3580

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