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Orientações quanto à vigilância da filariose linfática

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Segunda, 27 de Junho de 2016, 15h30 | Última atualização em Terça, 28 de Junho de 2016, 16h16

Nota Técnica nº 09/2013: Orientações quanto à vigilância da filariose linfática

 

Devido às suas características epidemiológicas, a Filariose Linfática (FL) é uma das doenças com potencial para eliminação. Em decorrência desta situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS), na 5ª Assembléia ocorrida em 1997, conclamou os países endêmicos para a adoção do Plano Global de Eliminação da Filariose Linfática (PGEFL).

 

Na região das Américas, Brasil, Guiana, Haiti e República Dominicana ainda apresentam focos ativos da doença. Estes quatro países aderiram ao PGEFL, o que implica em possuírem adequados serviços de diagnóstico, tratamento e vigilância epidemiológica.

 

Atualmente considera-se que no Brasil a área com transmissão de FL seja urbana e nitidamente focal. Casos da doença têm sido detectados apenas em quatro municípios da Região Metropolitana de Recife/PE: Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Olinda e Recife, o que torna possível o alcance da meta de eliminação da Filariose Linfática no país até 2015.

 

Para o controle de novos focos é necessária uma vigilância efetiva que garanta a investigação precoce e tratamento rápido dos casos, em razão da possível migração de doentes provenientes de outros países, bem como da migração interna no Brasil.

 

O objetivo desta nota é orientar para a rápida e adequada detecção, tratamento e cura de casos eventualmente comprovados em áreas até então indenes.

 

Os setores de Vigilância Epidemiológica de todas as Unidades Federadas devem se manter atentos e oportunamente atuantes para detectar e controlar precocemente todas as ocorrências. Para tanto, é necessário que sejam realizadas as ações descritas a seguir para diagnóstico, tratamento e avaliação de cura.

 

  1. Diagnóstico1:

 

Técnica da gota espessa (GE)

 

Uma característica deste parasito é a periodicidade noturna das microfilárias no sangue periférico do hospedeiro. O pico da parasitemia periférica coincide, na maioria das regiões, com o horário preferencial de repasto do vetor (entre 23h00 e 01h00 da manhã). Durante o dia, essas formas se localizam nos capilares profundos, principalmente nos pulmões e, durante a noite, aparecerem no sangue periférico, com maior concentração em torno da meia-noite, decrescendo novamente até o final da madrugada, conforme demonstrado na figura abaixo.

 

Figura 1: Curva de periodicidade das microfilárias de Wuchereria bancrofti no sangue periférico do hospedeiro humano.

 

 

Fonte: Fontes, Rocha, 2005

 

Horário ideal para coleta: entre 23h00 e 1h00 da manhã.

 

Material biológico: sangue capilar.

 

Modo de coleta: recomenda-se que a punção seja realizada no dedo anelar, preferencialmente da mão esquerda para os indivíduos destros, e vice-versa (vide o manual – nota de rodapé 1).

 

• Com o profissional de saúde sentado e o paciente em pé, procede-se a limpeza do local a ser puncionado com algodão hidrófilo embebido na solução desinfetante (álcool a 70%; álcool isopropilico70 %; álcool iodado a 0,1 %; entre outros);

 

• Utilizando-se lancetas descartáveis, realizar a punção que deve ser feita de forma rápida e precisa, na borda lateral da extremidade digital e nunca diretamente na polpa digital;

 

• Deixar fluir três gotas grandes de sangue, correspondendo a aproximadamente a 60μl em uma lâmina sobre uma superfície plana e nivelada;

 

• Imediatamente espalham-se as gotas de sangue com a extremidade da própria lanceta utilizada para punção, formando um retângulo homogêneo de bordas regulares. O espalhamento sanguíneo devera ter uma espessura que permita uma boa visualização após o processamento.

 

• Devem ser feitas, no mínimo, 2 lâminas para cada pessoa.

 

Figura 2: Sequência de passos para coleta sanguínea e confecção das lâminas.

 

Fonte: Brasil, 2009

 

Após a coleta deve-se deixar o sangue secar sobre a lâmina, ao abrigo de insetos e poeira, até que as bordas estejam secas. Não é aconselhado o uso de ventilador e nem estufa para acelerar o processo de secagem. As lâminas após secas devem ser acondicionadas em caixas de madeira ou similar e enviadas para exame até o máximo de 24 horas após a coleta.

 

Para a identificação da amostra na lâmina, colocam-se pelo menos os seguintes dados: nome e sobrenome da pessoa, data e horário da coleta.

 

O volume de sangue correto (aproximadamente 60μl) bem como o horário da coleta, são pontos importantes, que devem ser respeitados para a obtenção de um diagnóstico correto. A não observação dessas duas recomendações poderá acarretar um resultado Falso Negativo do exame.

 

Todos os indivíduos microfilarêmicos, deverão realizar a identificação morfológica do parasito (classificação da espécie filarial) antes do tratamento específico. Este procedimento poderá ser realizado por meio do encaminhamento de material biológico para o Laboratório do Serviço de Referência Nacional em Filarioses (SRNF) - Centro de Pesquisas Aggeu Magalhaes (CPqAM).

 

  1. Tratamento1:

 

Para os casos em que a presença do parasito é detectada, o tratamento antifilarial específico deve ser adotado, com vistas a debelar a infecção. Para tanto, a droga de escolha é a Dietilcarbamazina.

 

No período pré-tratamento deve-se realizar a quantificação da carga parasitária, por meio da coleta do sangue venoso (sangue total com EDTA), através da técnica de filtração em membrana de policarbonato, bem como o seguimento do antígeno circulante filarial por meio dos testes de AD12 (cartão ICT) e Og4C3-ELISA (coleta de soro). Para esta análise a amostra de sangue deverá ser encaminhada para o SRNF/CPqAM.

 

Dietilcarbamazina (DEC)

 

A DEC é um derivado da piperazina utilizada atualmente no Brasil, na forma de comprimidos de 50mg da droga ativa. Sua administração é por via oral e apresenta rápida absorção e baixa toxicidade. Esta droga tem efeito micro e macro filaricida, com redução rápida e profunda da densidade das microfilárias no sangue. 

 

O esquema padrão de tratamento com DEC, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é de 6mg/Kg/dia por 12 dias, podendo-se dividir a dose total diária em três subdoses. Porém, deve-se evitar sua administração em crianças com menos de dois anos de idade e gestantes.

 

Se indicado, a solicitação desse medicamento deverá ser feita pela Secretaria Estadual de Saúde, via sistema SIES – Sistema de Informação Insumos Estratégicos.

 

  1. Controle de Cura:

 

O seguimento de cura deverá ser monitorado por meio de 10mL de sangue venoso coletado no horário de pico de parasitemia e analisado pela técnica de filtração em membrana de policarbonato nos períodos de 30 e 90 dias após o tratamento com a DEC. Para esta análise a amostra de sangue deverá ser encaminhada para o SRNF/CPqAM. 

 

Contatos:

 

  • CGHDE/DEVEP/SVS/MS

Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação

Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis/Secretaria de Vigilância em Saúde

Endereço: Setor Comercial Sul, Quadra 4, Bloco A, Ed. Principal, 3º andar - Brasília/DF

CEP: 70.304-000

Fone: 61 3213-8205, fax 3213-8233/filariose@saude.gov.br

 

  • SRNF/CPqAM/ Fiocruz-PE

Serviço de Referência Nacional em Filarioses

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães

Departamento de Parasitologia

Endereço: Av. Moraes Rego s/n, Campus da UFPE, Cidade Universitária – Recife/PE.

CEP: 50.670-420

Fone: 81 2101-2575, fax 2101-2671                              

 

1 – Detalhes consultar:

  

- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância e eliminação da filariose linfática, 2009. 80 p.: Il. – (Série A). ISBN 978-85-334-1571-3, disponível em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/guia_filariose_web.pdf 

- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Filariose Linfática: Manual de Coleta de Amostras Biológicas para Diagnóstico de Filariose Linfática por Wuchereria bancrofti, 2008. ISBN 978-85-334-1423-5, disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/filariose_linfatica_manual.pdf.

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