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Acidentes por animais peçonhentos

Descrição do Agravo

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Quarta, 02 de Julho de 2014, 11h23 | Última atualização em Quarta, 28 de Março de 2018, 15h09

Serpentes são répteis tetrápodos que perderam os apêndices locomotores e a cintura escapular, e amniotas (que nascem de ovos amnióticos). Estão incluídas na Ordem Squamata, junto com os lagartos. Foi em serpentes da superfamília Colubroidea (Famílias Colubridae, Atractaspididae, Elapidae e Viperidae) que surgiu o aparato de inocular a peçonha. Este aparato é composto por uma glândula de veneno (produz e estoca a peçonha) ligada por um ducto aos dentes inoculadores. Quanto à presença/ausência e localização desse aparato, as serpentes são classificadas em quatro tipos:

•  Áglifas: Não possuem dentes com ducto, mas podem ter ou não glândula de veneno.

•  Opistóglifas: Os dentes inoculadores ficam localizados na região posterior do maxilar.

•  Proteróglifas: Dentes inoculadores de veneno pouco desenvolvido e na região anterior do maxilar,

•  Solenóglifas: Os dentes inoculadores de veneno são muito desenvolvidos e situam-se na parte anterior do maxilar.

Acidente ofídico ou ofidismo é o quadro de envenenamento decorrente da inoculação de toxinas através do aparelho inoculador (presas) de serpentes. No Brasil, são quatro os tipos de acidentes ofídicos:

  • Acidentes botrópicos: São causados por serpentes da Família Viperidae, dos gêneros Bothrops e Bothrocophias (jararacuçu, jararaca, urutu, caiçaca, comboia). É o grupo mais importante, com 29 espécies em todo o território nacional, encontradas em ambientes diversos, desde beiras de rios e igarapés, áreas litorâneas e úmidas, agrícolas e periurbanas, cerrados, e áreas abertas. Causam a grande maioria dos acidentes ofídicos no Brasil. Tem dentição solenóglifa;
  • Acidentes crotálicos: São causados pelas cascavéis (Família Viperidae, espécie Crotalus durissus). São identificadas pela presença de um guizo, chocalho ou maracá na cauda e têm ampla distribuição em cerrados, regiões áridas e semiáridas, campos e áreas abertas. Tem dentição solenóglifa;
  • Acidentes laquéticos: Também são causados por serpentes da Família Viperidae, no caso a espécie Lachesis muta (surucucu-pico-de-jaca). A pico-de-jaca é a maior serpente peçonhenta das Américas. Seu habitat é a floresta Amazônica e os remanescentes da Mata Atlântica. Tem dentição solenóglifa;
  • Acidentes elapídicos. São causados pelas corais-verdadeiras (Família Elapidae, gêneros Micrurus e Leptomicrurus). São amplamente distribuídos no país, com várias espécies que apresentam padrão característico com anéis coloridos. Tem dentição proteróglifa.

O envenenamento ocorre quando a serpente consegue injetar o conteúdo de suas glândulas venenosas, o que significa que nem toda picada leva a envenenamento. Na maioria dos casos, o diagnóstico clínico permite a identificação do tipo de envenenamento, uma vez que a identificação do animal é pouco frequente. Os sinais e sintomas decorrentes do envenenamento ofídico dependem das atividades presentes nos quatro tipos de veneno (botrópico, laquético, crotálico ou elapídico), cujos efeitos podem ser locais ou sistêmicos.

Fatores de risco para complicações locais são o uso de torniquete ou procedimentos locais inadvertidos (incisão, sucção, aplicação de substâncias tópicas), infecção secundária, e picada em extremidades que podem acentuar a necrose cutânea e resultar em amputação (nos acidentes botrópico e laquético). O tempo decorrido entre acidente e a soroterapia é o fator prognóstico mais importante e, em geral, correlaciona-se com a gravidade. O tratamento com o soro antiofídico deve ser feito de maneira específica para neutralizar os efeitos de cada tipo de veneno.

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