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Acidentes por animais peçonhentos

Descrição da Doença

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Quinta, 27 de Março de 2014, 15h23 | Última atualização em Quarta, 31 de Janeiro de 2018, 13h16

Etiologia e sinonímia 

Vírus do gênero Hantavirus, da família Bunyaviridae, sendo o único bunyavírus que não é um arbovírus. Nas Américas, existem duas linhagens de hantanvírus: uma patogênica, que está associada à ocorrência de casos de SCPH, pois foram identificadas em roedores e em pacientes, e outra, que, até o momento, só foi detectada em roedores silvestres, ainda sem evidências de causar a doença em seres humanos.   

Entre as variantes associadas a casos da SCPH nas Américas destacamos: o vírus Sin Nombre (Estados Unidos), Choclo (Panamá) e Andes (Argentina e Chile). No Brasil, temos identificadas variantes, associadas com casos da SCPH (Araraquara, Juquitiba, Castelo dos Sonhos, Anajatuba e Laguna Negra Paranoá) e algumas até o momento identificadas somente em roedores e de patogenicidade desconhecida (Rio Mearim, Rio Mamoré e Jaborá).

Esses vírus possuem envelope de dupla capa de lipídios, sendo, portanto, suscetíveis a muitos desinfetantes, como os formulados com base em compostos fenólicos, solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, lisofórmio, detergentes e álcool etílico a 70%. Sua sobrevida, depois de eliminado no meio ambiente, ainda não é totalmente conhecida. Pressupõe-se que, em ambiente sob a ação da luz solar, o vírus sobreviva por até 6 horas; já em ambientes fechados e que não recebem luz do sol e ação de ventos, o vírus pode permanecer ativo no ambiente por até 3 dias.

Reservatórios

Roedores silvestres são os principais reservatórios de hantavírus. Os hantavírus conhecidos no Hemisfério Sul têm como reservatórios roedores da subfamília Sigmodontinae, enquanto que, no Hemisfério Norte, as subfamílias Sigmodontinae e a Arvicolinae são as envolvidas na transmissão desses agentes. No Brasil, as principais espécies de roedores silvestres que são consideradas como prováveis reservatórios são: Necromys lasiurus, cujo hantavírus associado é o Araraquara e está amplamente disseminado nos ambientes de Cerrado e Caatinga; Oligoryzomys nigripes, hospedeiro do vírus Juquitiba, presente nas áreas de Mata Atlântica; Oligoryzomys utiaritensis, recentemente identificado como reservatório da variante Castelo dos Sonhos, e Calomys callidus, que alberga a variante Laguna Negra, ambas detectadas em uma área de transição entre Cerrado e Floresta Amazônica; O roedor Oligoryzomys microtis foi capturado em Floresta Amazônica albergando a variante Rio Mamoré e Oligoryzomys fornesi e Holochilus sciurus no estado do Maranhão como reservatórios da variante Anajatuba e Rio Mearim.

No roedor, a infecção pelo hantavírus é transmitida de forma horizontal e não é letal, o que o torna um reservatório por longo período, provavelmente por toda vida. Os hantavírus são eliminados, principalmente, pela urina, além das fezes e saliva dos roedores infectados.

História natural da doença   

Os hantavírus possuem como reservatórios naturais alguns roedores silvestres que contaminam o ambiente, eliminando o vírus pela urina, saliva e fezes. O homem, que parece ser a única espécie a adoecer, se infecta, principalmente, por meio da inalação de aerossóis.  

História e distribuição no Brasil e no mundo 

A hantavirose foi detectada pela primeira vez na década de 50, durante a Guerra da Coréia, sendo denominada de febre hemorrágica com síndrome renal. Os primeiros casos de SCPH foram detectados nos Estados Unidos, em maio de 1993. Em novembro de 1993, a SCPH foi identificada no Brasil, no estado de São Paulo. Posteriormente, Pará (1995), Bahia (1996), Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul (1998), Paraná e Santa Catarina (1999), Goiás e Maranhão (2000) e por último Distrito Federal, Rondônia e Amazonas (2004), registraram aumento de casos, demonstrando que a SCPH está distribuída em todas as regiões do país.

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