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Acidentes por animais peçonhentos

Nota informativa sobre a determinação descrita na Portaria 204 de 17 de fevereiro de 2016

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Terça, 03 de Maio de 2016, 15h56 | Última atualização em Terça, 03 de Maio de 2016, 16h03

Nota informativa sobre a determinação descrita na Portaria 204 de 17 de fevereiro de 2016 em relação à notificação compulsória de hantavirose

Reforça orientações sobre medidas que devem ser adotadas em casos suspeitos de hantavirose e estabelece a forma de envio das informações a serem encaminhadas à SVS/MS

 

 

I.          DA NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA IMEDIATA

 

A Portaria 204 de 17 de fevereiro de 2016, determina que os casos de hantavirose sejam notificados em até 24h (vinte quatro) . A notificação compulsória imediata deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente, em até 24 (vinte e quatro) horas desse atendimento, pelo meio mais rápido disponível. A autoridade de saúde que receber a notificação compulsória imediata deverá informa-la, em até 24 (vinte e quatro) horas desse recebimento, às demais esferas de gestão do SUS, municipal, estadual e federal.

 

 

II.          DA VIGILÂNCIA DE CASOS DE HANTAVIROSE

 

1.    Definições de casos de hantavirose

 

1.1.             Definições de caso suspeito

 

  • Paciente com quadro febril (acima de 38°C), mialgia, cefaleia e sinais e sintomas de insuficiência respiratória aguda de etiologia não determinada, na primeira semana da doença; ou
  • Paciente com enfermidade aguda, apresentando quadro de insuficiência respiratória aguda, com evolução para óbito na primeira semana da doença; ou
  • Paciente com quadro febril (acima de 38°C), mialgia, cefaleia e que tenha exposição a uma situação de risco, relacionado ou não a casos confirmados laboratorialmente.
  • Entendem-se como situações de risco ocorridas nos últimos 60 dias que antecederam o início dos sintomas:

 

  • Exposições a atividades de risco (vide item “5- Para identificação do local provável de infecção”) para a infecção por hantavírus; ou
  • Existência de população de roedores silvestres e/ou condições ambientais favoráveis ao seu estabelecimento em locais frequentados pelo paciente.

                     

1.2.            Definições de caso confirmado

 

  1. a.                 Critério laboratorial

Caso suspeito com os seguintes resultados de exames laboratoriais:

 

  • Sorologia reagente para anticorpos séricos específicos para hantavírus da classe IgM;
  • Imuno-histoquímica de tecidos positiva (identificação de antígenos específicos de hantavírus); ou
  • RT-PCR detectável para hantavírus

 

  1. b.                 Critério clínico epidemiológico

Indivíduo com quadro clínico de insuficiência respiratória aguda, que tenha evoluído para óbito, sem coleta de amostras para exames específicos, e que tenha frequentado áreas conhecidas de transmissão de hantavírus ou exposição à mesma situação de risco de pacientes confirmados laboratorialmente nos últimos 60 dias.

 

2.      Coleta de amostras para diagnóstico laboratorial

 

2.1.            Para Sorologia – IgM

  • Sangue venoso (soro): 5 ml;
  • Coletar amostra logo no primeiro atendimento (quando da suspeita diagnóstica), independente do período de doença;
  • Em caso de óbito: coletar sangue diretamente do coração;
  • Recipiente: frasco sem anticoagulante;
  • Conservação: congelado a –20°C ou em geladeira por 24 horas, no máximo;
  • Transporte: refrigerado com gelo reciclável em caixa de isopor. Pode-se enviar o material, também, em gelo seco;
  • Atenção! Coletar a 2ª amostra, em torno de uma semana de doença ou nos primeiros dias de internação, ou a 3ª amostra, com 2 a 3 semanas de doença, nas seguintes condições:

 

  1. Quando o resultado da sorologia para detecção de anticorpos IgM for não reagente ou negativo, em se tratando de paciente que apresente características clínicas clássicas associadas a fortes antecedentes epidemiológicos e que teve a amostra de soro coletada nos primeiros três dias de doença, recomenda-se coletar uma segunda amostra para detecção de anticorpos IgM;
  2. Quando o resultado da sorologia anterior for inconclusivo;
  3. Quando, excepcionalmente, solicitadas pelo laboratório de referência.

 

2.2.            Para RT- PCR

  • Sangue ou coágulo ou plasma ou soro (somente 01 amostra): 5 ml;
  • Coletar a amostra até o 7º dia após o início dos sintomas;

 

  • Em caso de óbito: coletar, até 08 horas após o óbito, 01 amostra de 1,5 -2,0 cm2, das seguintes vísceras: pulmão, baço, rim e fígado;
  • Recipiente: tubo criogênico;
  • Conservação: –70°C ou em nitrogênio líquido;
  • Transporte: embalagem apropriada para transporte de material infectante, contendo gelo seco.

 

2.3.            Para Imunohistoquímica

  • Coletar, até 08 horas após o óbito, 01 amostra, em torno de 1,5 – 2 cm2 , das seguintes vísceras/tecidos: pulmão, baço, rim, fígado, linfonodo, coração, pâncreas, glândula pituitária e cérebro;
  • Conservação: solução de formalina tamponada a 10% ou em blocos de parafina;
  • Transporte: em temperatura ambiente. Não refrigerar.

 

2.4.            De contato ou comunicante de casos

  • Define-se como contato de casos de hantavirose: indivíduo sob mesma situação ou exposição de risco do caso investigado confirmado, considerando os 60 dias da data de início dos sintomas.
  • Solicitar sorologia (IgM) para contatos ou comunicantes de suspeitos ou de casos confirmados somente dos que tenham apresentado algum sinal e/ou sintoma compatível com hantavirose, nos últimos 60 dias à investigação. Nesse caso, considerar como um novo “suspeito”, notificar e investigar, conforme normas da VE;
  • Solicitação de sorologia para pesquisa de IgG somente em situações     excepcionais, como por exemplo, necessidade de comprovação de circulação viral entre os contatos/comunicantes nativos de caso suspeito, em que não tenha sido possível a coleta de material para diagnóstico laboratorial.

 

  1. 3.    Envio das amostras para diagnóstico laboratorial

 

  • Qualquer que seja a amostra,  será encaminhada ao Laboratório responsável de sua Unidade Federada acompanhada da Ficha de Notificação - Sinan ou da Ficha de Investigação Epidemiológica - Sinan, devidamente preenchidas;

 

  1. 4.         Investigação de casos

 

  • Doença de notificação individual, compulsória e imediata (nível municipal, estadual e federal), que desencadeia uma investigação obrigatória;
  • Promover, periodicamente, capacitação em Investigação Epidemiológica destinada aos técnicos das SMS e das esferas regionais, com vistas a melhorar a qualidade das informações coletadas;
  • Recomenda-se que a Ficha de Investigação Epidemiológica da Hantavirose seja aberta no Sinan somente após o encerramento da investigação epidemiológica. Dessa forma, espera-se, que o percentual de campos “em branco”, principalmente, os que se referem aos “Antecedentes Epidemiológicos” e “Conclusão”, deixem de existir;
  • Monitorar os casos notificados e confirmados no Sinan, de forma a orientar os municípios e serviços na correção e/ou “limpeza” regular do banco de dados.

 

  1. 5.      Para identificação do Local Provável de Infecção -LPI
  • Devem ser investigadas situações de risco para infecção por hantavírus nos últimos 60 dias que precedem o início dos sintomas:
  1. contato direto e/ou viu roedor silvestre vivo ou morto ou seus vestígios (fezes, urina e/ou cheiro da urina, sangue, saliva, roeduras, pegadas, trilhas, manchas e outros sinais de roedores);
  2.  presença de capim Brachiaria spp.;
  3.  roças abandonadas, faixas de capim não ocupadas;
  4.  mudança no perfil agrícola ou outros fenômenos naturais periódicos que alterem a disponibilidade de alimentos (grãos) para os roedores silvestres, como a frutificação de árvores nativas e a floração das taquaras;
  5.  fatores ambientais que provoquem o deslocamento de roedores para as residências ou arredores, queimadas, enchentes, alagamentos, entre outros;
  6.  alterações climáticas e fenômenos naturais periódicos com reflexos diretos na população de roedores;
  7.  atividades ocupacionais realizadas em área rural ou silvestre (aragem, plantio ou colheita em campo, treinamento militar a campo e outros);
  8.  ambientes fechados (galpão, paiol, sótão, silo, porão, depósitos, despensa e outros semelhantes): transporte, armazenagem e moagem de grãos; arrumação ou manuseio de fardos de capim, lenha ou outros semelhantes; limpeza de celeiros ou outras construções (estufas, tulhas, paióis e silos); limpeza de maquinário agrícola; adentramento, repouso, descanso e/ou limpeza de residências ou qualquer tipo de habitação ocupada ou não, independentemente do período;
  9.  atividades de lazer/turismo em locais rurais ou silvestres: caça, pesca, ecoturismo, treinamento militar, pesquisas científicas.
  • Recomenda-se aos profissionais de saúde que usem máscaras de pressão negativa ou descartáveis, ambas com filtro PFF3, sempre que a investigação epidemiológica exigir que frequentem locais com suspeita de contaminação por hantavírus, sejam ambientes fechados ou não.

 

  1. 6.         Condutas em relação às gestantes e mulheres em amamentação com hantavirose

 

  • Gestantes devem ser seguidas durante o período de gravidez, do parto e do puerpério e, a mãe e a criança, após nascimento. Todas as técnicas laboratoriais disponíveis (ELISA, RT-PCR) devem ser feitas em diferentes momentos para que se possa obter um maior número possível de informações;
  • No caso de óbito materno e/ou fetal, a realização de necropsia completa é indispensável com estudos anatomopatológicos e pesquisa de antígeno pela técnica de imunohistoquímica;
  • Mães em lactação: recomenda-se suspender a amamentação, controlar a criança com suporte laboratorial e solicitar RT-PCR do leite materno.

 

 

III.              DO ENVIO DE DADOS DOS CASOS CONFIRMADOS À SVS/MS

                       

Área endêmica: notificar à SVS/MS, individualmente, via e-mail, fax ou telefone, somente os casos confirmados, informando os seguintes dados: nome, idade, sexo, data de início de sintomas-DIS, município do local provável de infecção-LPI, município de residência e evolução; de preferência, encaminhar a ficha de notificação e investigação via e-mail ou fax.

Área indene ou surtos em qualquer área no país: notificar à SVS/MS, individualmente, de forma imediata, via e-mail, fax ou telefone, os casos suspeitos, informando os seguintes dados, conforme disponibilidade: nome, idade, sexo, DIS, município do LPI, município de residência e evolução.

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