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Difteria

Difteria: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Sexta, 16 de Agosto de 2019, 18h28 | Última atualização em Sexta, 27 de Setembro de 2019, 11h04

O que é difteria?

A difteria é uma doença transmissível e causada por bactéria que atinge as amígdalas, faringe, laringe, nariz e, ocasionalmente, outras partes do corpo, como pele e mucosas. 

Dependendo do tamanho e de onde as placas aparecerem, a pessoa pode sentir dificuldade de respirar.

A principal forma de prevenção é por meio da vacina pentavalente. 

A presença de placas na cor branco-acizentada nas amígdalas e partes próximas é o principal sintoma da difteria. Em casos mais graves, porém raros, podem aparecer inchaços no pescoço e gânglios linfáticos. 

IMPORTANTE: Após o surgimento da vacina tríplice bacteriana (DTP), o número de casos de difteria se tornou muito raro no Brasil. A vacina é a melhor, mais eficaz e principal forma de prevenir a difteria.

A difteria ocorre durante todos os períodos do ano e pode afetar todas as pessoas que não são vacinadas, de qualquer idade, raça ou sexo. Acontece com mais frequência nos meses frios e secos (outono e inverno), quando é mais comum a ocorrência de infecções respiratórias, principalmente devido à aglomeração em ambientes fechados, que facilitam a transmissão da bactéria. 

A doença ocorre com maior frequência em áreas com precárias condições socioeconômicas, onde a aglomeração de pessoas é maior e onde se registram baixas coberturas vacinais. Os casos são raros quando as coberturas vacinais atingem patamares de 80%.

Como a difteria é transmitida?

A transmissão da difteria ocorre basicamente por meio da tosse, espirro ou por lesões na pele, ou seja, a bactéria da difteria é transmitida pelo contato direto da pessoa doente ou portadores com pessoa suscetível, por meio de gotículas  eliminadas por tosse, espirro ou ao falar.

Em casos raros, pode ocorrer a contaminação por objetos capazes de absorver e transportar micro-organismos, como a bactéria causadora da difteria.

O período de incubação da difteria, ou seja, o tempo que os sintomas começam a aparecer desde a infecção da pessoa, é, em geral, de 1 a 6 dias, podendo ser mais longo. Já o período de transmissibilidade da doença dura, em média, até 2 semanas após o início dos sintomas.

O que causa a difteria?

A difteria é causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, que se hospeda na própria pessoa doente ou no portador, ou seja, aquele que tem a bactéria no organismo e não apresenta sintomas. A via respiratória e a pele são os locais preferidos da bactéria.

Como é feito o diagnóstico da difteria?

O diagnóstico da difteria é clínico, após análise detalhada dos sintomas e características típicas da doença por um profissional de saúde. 

Para confirmação do diagnóstico, o médico deverá solicitar coleta de secreção de nasofrainge para cultura. Em casos de suspeita de difteria cutânea (na pele), devem ser coletadas amostras das lesões da pele.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial da difteria deverá ser feito com as doenças descritas a seguir, que podem apresentar sintomas parecidos.

  • Difteria cutânea – impetigo, ectima, eczema, úlceras;

  • Difteria nasal – rinite estreptocócica, rinite sifilítica, corpo estranho nasal;

  • Difteria amigdaliana ou faríngea – amigdalite estreptocócica, angina monocítica, angina de Plaut Vicent, agranulocitose;

  • Difteria laríngea – crupe viral, laringite estridulosa, epiglotite aguda, inalação de corpo estranho.

Diagnóstico laboratorial

Realizado mediante a identificação e isolamento do C. diphtheriae por meio de cultura de material, coletado com técnica adequada, das lesões existentes (ulcerações, criptas das amígdalas), exsudatos de orofaringe e de nasofaringe, que são as localizações mais comuns, ou de outras lesões cutâneas, conjuntivas, genitália externa, etc., mesmo sem as provas de toxigenicidade. 

Difteria: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção

Quais são os sintomas da difteria?

Os principais sintomas da difteria, que surgem geralmente após seis dias da infecção, são:

  • Membrana grossa e acinzentada, cobrindo as amígdalas e podendo cobrir outras estruturas da gargante.

  • Dor de garganta discreta.

  • Glânglios inchados (linfonodos aumentados) no pescoço.

  • Dificuldade em respirar ou respiração rápida em casos graves.

  • Palidez.
  • Febre não muito elevada.

  • Mal-estar geral.

IMPORTANTE: Algumas pessoas podem ser infectadas pela difteria e apresentar sintomas leves ou até mesmo não ter nenhum tipo de sinal da doença.

Quais são os fatores de risco para a difteria?

A difteria ocorre durante todos os períodos do ano e pode afetar todas as pessoas não protegidas pela vacinação de qualquer idade, raça ou sexo. Algumas situações aumentam os fatores de risco tais como:

  • Crianças e adultos que não receberam a vacina.

  • Pessoas que vivem em condições de superlotação ou insalubres.

  • Pessoas que viajam para uma região onde a difteria é endêmica.

Como é feito o tratamento da difteria?

O tratamento da difteria é feito com o soro antidiftérico (SAD), que deve ser ministrado em unidade hospitalar. A finalidade do tratamento é inativar a toxina da bactéria o mais rapidamente possível.

O uso do antibiótico é considerado como medida auxiliar do tratamento, ajudando a interromper o avanço da doença.

Nota Informativa nº 162/2019 - Medidas para a notificação de Difteria  e dispensação de soro

Informe sobre coleta, acondicionamento e transporte de material suspeito de difteria

Quais complicações a difteria pode causar?

A difteria, se não for tratada rápida e corretamente, pode provocar algumas complicações, como:

  • insuficiência respiratória;

  • problemas cardíacos;

  • problemas neurológicos;

  • insuficiência dos rins.

Por isso, no surgimento de qualquer sinal, é fundamental procurar ajuda médica para iniciar o tratamento o mais breve possível. A difteria é uma doença grave que pode levar à morte.

Como prevenir a difteria?

A vacinação é o principal meio de controle e prevenção da difteria. É preciso manter o esquema vacinal de crianças, adolescentes e adultos sempre atualizado.

Confira o esquema de proteção no  Calendário Nacional de Vacinação

Situação epidemiológica da difteria

O Brasil, desde a década de 1990, apresentou importante redução na incidência dos casos, mediante a ampliação das coberturas vacinais. Naquela década, a incidência chegou a 0,45/100 mil hab., diminuindo à medida que as coberturas elevaram-se. 

Entre 2008 a 2017, ocorreram 10 óbitos pela doença, 3 dos quais no ano de 2010. Em 2017 ocorreu um óbito referente a um caso importado da Venezuela. A letalidade esperada varia entre 5 e 10%, atingindo 20% em certas situações. A cobertura vacinal com a DTP vem-se elevando neste período, passando de 66%, em 1990, para mais de 95%, em 2015. Nos anos de 2016, 2017 e 2018 a cobertura de Pentavalente (difteria, tétano, pertussis, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b) foi de 89,27%, 83,78% e 85,68% respectivamente.

Publicações sobre difteria

Viajantes - difteria

É considerado caso suspeito toda pessoa independentemente da idade e do estado vacinal que apresente quadro agudo de infecção da orofaringe, com presença de placas aderentes ocupando as amígdalas, com ou sem invasão de outras áreas da faringe (palato e úvula) ou outras localizações (ocular, nasal, vaginal, pele, por exemplo), com comprometimento do estado geral e febre moderada.

Desde 2016, a Venezuela, país vizinho do Brasil tem apresentado aumento do número de casos de difteria e portanto todos que irão viajar para este país devem estar com a caderneta atualizada.

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