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Doenças Diarreicas Agudas

Doenças diarreicas agudas: causas, sinais e sintomas, tratamento e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | Publicado: Terça, 04 de Julho de 2017, 12h28 | Última atualização em Terça, 02 de Abril de 2019, 11h46

O que é são doenças diarreicas agudas?

As doenças diarreicas agudas (DDA) correspondem a um grupo de doenças infecciosas gastrointestinais. São caracterizadas por uma síndrome em que há ocorrência de no mínimo três episódios de diarreia aguda em 24 horas, ou seja, diminuição da consistência das fezes e aumento do número de evacuações, quadro que pode ser acompanhado de náusea, vômito, febre e dor abdominal. Em geral, são doenças autolimitadas com duração de até 14 dias. Em alguns casos, há presença de muco e sangue, quadro conhecido como disenteria. A depender do agente causador da doença e de características individuais dos pacientes, as DDA podem evoluir clinicamente para quadros de desidratação que variam de leve a grave.

A diarreia pode ser de origem não infecciosa podendo ser causada por medicamentos, como antibióticos, laxantes e quimioterápicos utilizados para tratamento de câncer, ingestão de grandes quantidades de adoçantes, gorduras não absorvidas, e até uso de bebidas alcoólicas, por exemplo. Além disso, algumas doenças não infecciosas também podem desencadear diarreia, como a doença de Chron, as colites ulcerosas, a doença celíaca, a síndrome do intestino irritável e intolerâncias alimentares como à lactose e ao glúten.

IMPORTANTE: Se tratadas incorretamente ou não tratadas, as doenças diarreicas agudas podem levar à desidratação grave e ao distúrbio hidroeletrolítico, podendo ocorrer óbito, principalmente quando associadas à desnutrição ou à imunodepressão.

O que causa as doenças diarreicas agudas?

As doenças diarreicas agudas (DDA) podem ser causadas por diferentes microrganismos infecciosos (bactérias, vírus e outros parasitas, como os protozoários) que geram a gastroenterite – inflamação do trato gastrointestinal – que afeta o estômago e o intestino. A infecção é causada por consumo de água e alimentos contaminados, contato com objetos contaminados e também pode ocorrer pelo contato com outras pessoas, por meio de mãos contaminadas, e contato de pessoas com animais.

Quais são os fatores de risco para doenças diarreicas agudas?

Qualquer pessoa, de qualquer faixa etária e gênero, pode manifestar sinais e sintomas das doenças diarreicas agudas após a contaminação. No entanto, alguns comportamentos podem colocar as pessoas em risco e facilitar a contaminação como:

  • Ingestão de água sem tratamento adequado;
  • Consumo de alimentos sem conhecimento da procedência, do preparo e armazenamento;
  • Consumo de leite in natura (sem ferver ou pasteurizar) e derivados;
  • Consumo de produtos cárneos e pescados e mariscos crus ou malcozidos;
  • Consumo de frutas e hortaliças sem higienização adequada;
  • Viagem a locais em que as condições de saneamento e de higiene sejam precárias;
  • Falta de higiene pessoal.
ATENÇÃO ESPECIAL: Crianças e idosos com DDA correm risco de desidratação grave. Nestes casos, a procura ao serviço de saúde deve ser realizada em caráter de urgência.
Surtos de Doenças Diarreicas Agudas causados por Cryptosporidium spp Fechar
  1. Parasitoses e diarreia

As Doenças Diarreicas Agudas (DDA) podem ser causadas por diferentes microrganismos, principalmente bactérias e vírus. Os protozoários, apesar de também poderem causar diarreia, são menos identificados no Brasil por diversas razões, como: pessoas com uma boa imunidade (imunocompetentes) geralmente não apresentam sintomas ou estes são autolimitados, o que reduz a procura por atendimento médico; muitas vezes, exames parasitológicos não são solicitados ao paciente que apresenta diarreia.

As parasitoses são geralmente transmitidas por contato direto via fecal-oral ou consumo de alimentos e água contaminados, em locais cujas condições de saneamento e higiene são inadequadas. A população de baixa renda, que reside nesses ambientes, apresenta maior risco de se infectar, especialmente crianças que vivem em áreas endêmicas. Porém, em algumas situações, quando a água para consumo humano não passa por tratamentos adequados que visem eliminar parasitas, podem ocorrer surtos, independentemente do nível socioeconômico e das condições locais.

O Cryptosporidium spp. tem sido o protozoário mais frequentemente isolado entre as crianças internadas e é frequentemente encontrado em pacientes HIV-positivos. Surtos de grande magnitude causados por Cryptosporidium spp. e associados à veiculação hídrica têm sido relatados em alguns países, o que reforça a necessidade de orientar a população sobre as medidas de prevenção e controle.

  1. Infecção por Cryptosporidium spp.

O Cryptosporidium spp. é um protozoário que pode ser encontrado em fontes de águas superficiais e subterrâneas contaminadas com fezes de animais ou humanos. Os oocistos são resistentes às condições ambientais, portanto podem chegar às estações de tratamento de água (ETAs) onde precisam ser removidos. No entanto, ressalta-se que também apresentam resistência acentuada à ação dos agentes desinfetantes frequentemente empregados no tratamento de água, particularmente ao cloro. A etapa do tratamento de água capaz de remover oocistos de Cryptosporidium spp., que por ventura estejam presentes na água bruta, é a clarificação, a qual envolve os processos de coagulação, floculação, decantação e, principalmente, filtração. Para avaliar a eficiência destes processos de tratamento, o responsável pelo abastecimento de água deve verificar o atendimento ao padrão de turbidez pós filtração, de acordo com a norma de potabilidade vigente.   

Os principais sintomas da infecção por Cryptosporidium spp. são diarreia aquosa e dor abdominal. Algumas pessoas também podem apresentar febre, vômito e perda de apetite, embora seja menos comum. Em pessoas imunocompetentes (com sistema imunológico normal), os sintomas geralmente duram cerca de 1 a 2 semanas, porém, indivíduos com supressão imunológica severa, particularmente aqueles com infecção avançada pelo HIV, podem ter diarreia severa e prolongada.

O período de incubação do Cryptosporidium spp. varia de 1 a 12 dias, com uma média de 7 dias. Após adquirir a infecção, a eliminação de oocistos nas fezes pode ocorrer por semanas após o desaparecimento dos sintomas, viabilizando a transmissão do protozoário.

Certos grupos populacionais estão mais propensos a adoecer quando estão infectados por Cryptosporidium spp., como:

  • Crianças pequenas
  • Mulheres grávidas
  • Indivíduos com sistema imunológico enfraquecido

A transmissão de Cryptosporidium spp. ocorre via fecal-oral, de três possíveis formas: contato pessoa-pessoa ou animal-pessoa, consumo de alimentos contaminados e ingestão de água contaminada (transmissão hídrica), sendo esta considerada a principal forma de transmissão, a qual abrange a água para consumo humano e a água de piscinas, lagos, rios, nascentes, lagoas, córregos, etc. Além disso, a transmissão pode acontecer, pelo contato com mãos, objetos e superfícies contaminados com fezes de pessoas ou animais contaminados.

  1. Prevenção
    • Principais ações para a prevenção da infecção por Cryptosporidium spp.:
  • Não beber água de bicas, lagos, rios, nascentes, lagoas, riachos ou poços rasos que estejam sem tratamento.
  • Utilizar água engarrafada ou filtrada e fervida para beber e lavar frutas e vegetais consumidos crus sempre que a segurança da água distribuída pela rede de abastecimento estiver em dúvida (como durante um surto ou se o tratamento da água for desconhecido).
  • Afastar pessoas (crianças, trabalhadores) com infecção por Cryptosporidium spp. de locais como creches, pré-escolas, escolas. O retorno dessas pessoas deve ocorrer quando estiverem sem diarreia.
  • Afastar de suas atividades manipuladores de alimentos, profissionais de instituição de saúde e asilos com a infecção Cryptosporidium spp.. Seu retorno ao trabalho deve ocorrer quando estiverem assintomáticos.
  • Lavar frequentemente (mesmo que use luvas) as mãos com água e sabão, prestando atenção às costas das mãos, aos punhos, entre os dedos e sob as unhas:

>> antes e depois de cuidar de alguém doente;

>> antes de preparar, manusear ou consumir alimentos;

>> depois de usar o banheiro;

>> depois de manusear terra (ex: jardinagem);

>> depois de trocar as fraldas ou ajudar as crianças no banheiro;

>> depois de entrar em contato com animais, suas fezes ou seus ambientes.

  • Evitar que indivíduos com diarreia utilizem piscinas ou saunas por 14 dias após a interrupção dos sintomas.
  • Evitar que crianças pequenas que não controlam a evacuação e bebês sem diarreia utilizem piscinas e outros locais de natação sem usar fraldas específicas para natação.  Além disso, as fraldas devem ser trocadas regularmente no vestiário e quando ocorrer acidentes fecais nas piscinas, elas devem ser devidamente desinfetadas.
  • Banhar crianças com infecção por Cryptosporidium spp. preferencialmente em chuveiro ou desinfetar a banheira utilizada após cada uso.
  • Evitar tocar em animais de fazenda, especialmente bezerros jovens e cordeiros.
  • Lavar bem, esfregando com água limpa, e/ou descascar todas as frutas e vegetais consumidos crus antes de comer.
  • Consumir água engarrafada e alimentos de procedência conhecida em viagens a locais com condições precárias de saneamento.
  • Evitar o contato e a contaminação com fezes durante o ato sexual (usar preservativos durante a prática de sexo anal e realizar higiene com água e sabão após tocar a região anal).

Observação: Os desinfetantes para as mãos à base de álcool não são efetivos par matar o Cryptosporidium spp..

 

  • Limpeza das caixas d’água

Destaca-se que nos domicílios, é necessária a limpeza rotineira das caixas d’água e de demais recipientes utilizados no manuseio ou armazenamento da água. Recomenda-se ainda a utilização de filtros domésticos, como os “filtros de barro”, e a fervura da água, por 5 minutos, como tratamento adicional, principalmente em situações de surto de doenças de veiculação hídrica ou notificação de contaminação da água.

É importante lavar a sua caixa-d’água a cada seis meses ou sempre que ocorrer alguma das seguintes situações:

  • Contaminação da água.
  • Entrada de objetos, animais ou pessoas no reservatório.
  • Presença de sujeira no reservatório (exemplo: folhas, lama, lodo, entre outras)
  • Mudanças nos aspectos da água, como cor, odor ou sabor.

Recomendações para realizar a limpeza e desinfecção da caixa d’água das residências. É importante utilizar luvas e botas de borracha para realizar estes procedimentos:

1º passo: Limpeza da caixa-d’água

  1. Um dia antes da lavagem, fechar o registro de entrada ou amarrar a boia da caixa, para impedir a entrada de água.
  2. Em caso de contaminação, desprezar a água da caixa até atingir a quantidade necessária para a limpeza (aproximadamente um palmo de água). Quando a caixa estiver quase vazia, tampar a saída da água para o domicílio (“boca” do cano de distribuição de água) para evitar a entrada de sujeira nas tubulações.
  3. Esfregar as paredes, o fundo e as tampas do reservatório utilizando esponja, bucha, vassoura, escova macia ou panos limpos. Nunca usar escova de aço, sabão, detergente ou outros produtos de limpeza, pois estes poderão danificar ou deixar resíduos no reservatório, comprometendo a qualidade da água.
  4. Retirar todos os resíduos do fundo do reservatório com o auxílio de pá, balde e panos limpos, deixando a caixa totalmente limpa.
  5. Enxaguar as paredes e o fundo, deixando que a água escoe até a tubulação de saída da água e, em seguida, abrir o registro de entrada de água.

 

 

2º passo: Desinfecção

  1. Após a lavagem, abrir o registro de entrada de água e deixar entrar água na caixa até encher. Fechar o registro e acrescentar 1 litro de água sanitária 2,0% a 2,5% para cada 1.000 litros de água.
  2. Abrir lentamente as torneiras da residência e deixar escoar um pouco dessa água para que as canalizações sejam preenchidas com a solução clorada e para que desinfetem também a tubulação.
  3. Em seguida, fechar as torneiras.
  4. Aguardar por duas horas para desinfecção do reservatório e tubulação. Logo depois, esvaziar totalmente a caixa, abrindo todas as torneiras e dando descarga nos vasos sanitários.
  5. Agora que a caixa-d’água está limpa, abrir o registro de entrada de água, para enchê-la.
  6. Finalmente, volte a usar normalmente a água do reservatório.

A caixa-d’água deve ser bem fechada. O reservatório vedado diminui o risco de contaminação.

  1. Tratamento recomendado para os casos de DDA

A abordagem dos casos com DDA deve considerar o quadro clínico, principalmente o grau de hidratação. A seguir estão recomendações gerais para o tratamento de DDA:

Plano A - direcionado ao paciente HIDRATADO para realizar no domicílio:

  • Aumento da ingestão de líquidos, assim como o Soro de Reidratação Oral (SRO);
  • Manutenção da alimentação habitual (continuidade do aleitamento materno, quando se aplicar);
  • Retorno do paciente ao serviço, caso não melhore em 2 dias ou apresente piora da diarreia, vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos, sangue nas fezes ou diminuição da diurese.

Plano B - direcionado ao paciente COM DESIDRATAÇÃO, porém sem gravidade:

  • Ingestão de solução de SRO, inicialmente em pequenos volumes e aumento da oferta e da frequência aos poucos no serviço de saúde.
  • Reavaliação do paciente constantemente para rever o tratamento;

Plano C - destinado ao paciente COM DESIDRATAÇÃO GRAVE.

  • Reidratação endovenosa no serviço de saúde.
  • Reavaliação do paciente após duas horas, se persistir a desidratação grave, repetir a prescrição; caso contrário, iniciar balanço hídrico com as mesmas soluções.
  • Administrar por via oral a solução de SRO em doses pequenas e frequentes, tão logo o paciente aceite. Isso acelera a sua recuperação e reduz drasticamente o risco de complicações.
  • Suspender a reidratação endovenosa quando o paciente estiver hidratado, com boa tolerância à solução de SRO e sem vômitos.

O tratamento com antibiótico deve ser reservado apenas para os casos de DDA com sangue ou muco nas fezes (disenteria) e comprometimento do estado geral ou em caso de cólera com desidratação grave, sempre com acompanhamento médico.

Para tratamento detalhado, acesse o Manejo do Paciente com Diarreia.

 

            4.1 Tratamento de casos confirmados de Cryptosporidium spp.

A partir da confirmação laboratorial de infecção por Cryptosporidium spp., o tratamento medicamentoso é indicado para todos os indivíduos com HIV/AIDS, sintomáticos ou assintomáticos. Em indivíduos imunocompetentes, geralmente a doença é autolimitada e benigna, não sendo indicada a utilização de medicamentos. Crianças e gestantes devem ter a condição clínica e o status imunológico avaliados para definição de risco-benefício na utilização do tratamento medicamentoso, assim como os demais pacientes imunodeprimidos (como por exemplo, pacientes oncológicos, doentes renais crônicos, transplantados, etc.) que devem ser avaliados clinicamente pelo especialista que os acompanham. Com exceção de indivíduos com HIV/AIDS, não há indicação específica para tratamento de assintomáticos.

É importante ressaltar que o tratamento medicamentoso dos casos sem confirmação laboratorial da infecção por Cryptosporidium spp. não é indicado. Atualmente, o fármaco de escolha para o tratamento dos casos com indicação de intervenção medicamentosa é a Nitazoxanida, que normalmente não é distribuído nos serviços públicos de saúde por não integrar a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME).

 

Texto elaborado em março de 2019 em conjunto pelas Coordenação-Geral de Doenças Transmissíveis e Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental do Ministério da Saúde com a colaboração da Secretaria de Atenção à Saúde e da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Referências

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BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças diarreicas agudas: causas, sintomas, tratamento e prevenção. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/doencas-diarreicas-agudas>. Acesso em 11 mar. 2019.

CENTERS FOR DESEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Facts About Crypto and Swimming Pools. Disponível em: https://www.cdc.gov/healthywater/pdf/swimming/resources/Cryptosporidium spp.-factsheet.pdf. Acesso em 11 mar. 2019.

CENTERS FOR DESEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Parasites - Cryptosporidium spp. (also known as "Crypto"). Prevention & Control - General Public.  2015. Disponível em: https://www.cdc.gov/parasites/crypto/gen_info/prevention-general-public.html. Acesso em 11 mar. 2019.

CENTERS FOR DESEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Crypto outbreaks linked to swimming have doubled since 2014. Maio, 2017. Disponível em: https://www.cdc.gov/media/releases/2017/p0518-Cryptosporidium spp.-outbreaks.html. Acesso em 19 mar. 2019.

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Quais são os sinais e sintomas das doenças diarreicas agudas?

Ocorrência de no mínimo três episódios de diarreia aguda no período de 24hrs (diminuição da consistência das fezes – fezes líquidas ou amolecidas – e aumento do número de evacuações) podendo ser acompanhados de:

  • Cólicas abdominais.
  • Dor abdominal.
  • Febre.
  • Sangue ou muco nas fezes.
  • Náusea.
  • Vômitos.

Doenças diarreicas agudas: causas, sintomas, tratamento e prevenção - diarreia

Como diagnosticar as doenças diarreicas agudas (diarreia)?

O diagnóstico das causas etiológicas, ou seja, dos microrganismos causadores da DDA é realizado apenas por exame laboratorial por meio de exames parasitológicos de fezes, cultura de bactérias (coprocultura) e pesquisa de vírus. O diagnóstico laboratorial é importante para determinar o perfil de agentes etiológicos circulantes em determinado local e, na vigência de surtos, para orientar as medidas de controle. Em casos de surto, solicitar orientação da equipe de vigilância epidemiológica do município para coleta de amostras.

IMPORTANTE: As fezes devem ser coletadas antes da administração de antibióticos e outros medicamentos ao paciente. Recomenda-se a coleta de 2 a 3 amostras de fezes por paciente.

O diagnóstico etiológico das Doenças Diarreicas Agudas nem sempre é possível, uma vez que há uma grande dificuldade para a realização das coletas de fezes, o que se deve, entre outras questões, à baixa solicitação de coleta de amostras pelos profissionais de saúde e à reduzida aceitação e coleta pelos pacientes.

Desse modo, é importante que o indivíduo doente seja bem esclarecido quanto à relevância da coleta de fezes, especialmente na ocorrência de surtos, casos com desidratação grave, casos que apresentam fezes com sangue e casos suspeitos de cólera a fim de possibilitar a identificação do microrganismo que causou diarreia. Essa informação será útil para prevenir a transmissão da doença para outras pessoas.

A coleta de fezes para análise laboratorial é de grande importância para a identificação de agentes circulantes e, especialmente em caso de surtos, para se identificar o agente causador do surto, bem como a fonte da contaminação.

Como tratar as doenças diarreicas agudas?

O tratamento das doenças diarreicas agudas se fundamenta na prevenção e na rápida correção da desidratação por meio da ingestão de líquidos e solução de sais de reidratação oral (SRO) ou fluidos endovenosos, dependendo do estado de hidratação e da gravidade do caso. Por isso, apenas após a avaliação clínica do paciente, o tratamento adequado deve ser estabelecido, conforme os planos A, B e C descritos abaixo.

Para indicar o tratamento é imprescindível a avaliação clínica do paciente e do seu estado de hidratação. A abordagem clínica constitui a coleta de dados importantes na anamnese, como: início dos sinais e sintomas, número de evacuações, presença de muco ou sangue nas fezes, febre, náuseas e vômitos; presença de doenças crônicas; verificação se há parentes ou conhecidos que também adoeceram com os mesmos sinais/sintomas.

O exame físico, com enfoque na avaliação do estado de hidratação, é importante para avaliar a presença de desidratação e a instituição do tratamento adequado, além disso, o paciente deve ser pesado, sempre que possível.

Se não houver dificuldade de deglutição e o paciente estiver consciente, a alimentação habitual deve ser mantida e deve-se aumentar a ingestão de líquidos, especialmente de água.

Plano A

O plano A consiste em cinco etapas direcionadas ao paciente HIDRATADO para realizar no domicílio:

  • Aumento da ingestão de água e outros líquidos incluindo solução de SRO principalmente após cada episódio de diarreia, pois dessa forma evita-se a desidratação;
  • Manutenção da alimentação habitual; continuidade do aleitamento materno;
  • Retorno do paciente ao serviço, caso não melhore em 2 dias ou apresente piora da diarreia, vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos, sangue nas fezes ou diminuição da diurese;
  • Orientação do paciente/responsável/acompanhante para reconhecer os sinais de desidratação; preparar adequadamente e administrar a solução de SRO e praticar ações de higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização dos alimentos);
  • Administração de Zinco uma vez ao dia, durante 10 a 14 dias.

Plano B

O Plano B consiste em três etapas direcionadas ao paciente COM DESIDRATAÇÃO, porém sem gravidade, com capacidade de ingerir líquidos, que deve ser tratado com SRO na Unidade de Saúde, onde deve permanecer até a reidratação completa.

  • Ingestão de solução de SRO, inicialmente em pequenos volumes e aumento da oferta e da frequência aos poucos. A quantidade a ser ingerida dependerá da sede do paciente, mas deve ser administrada continuamente até que desapareçam os sinais da desidratação;
  • Reavaliação do paciente constantemente, pois o Plano B termina quando desaparecem os sinais de desidratação, a partir de quando se deve adotar ou retornar ao Plano A;
  • Orientação do paciente/responsável/acompanhante para reconhecer os sinais de desidratação; preparar adequadamente e administrar a solução de SRO e praticar ações de higiene pessoal e domiciliar (lavagem adequada das mãos, tratamento da água e higienização dos alimentos);

Plano C

O Plano C consiste em duas fases de reidratação endovenosa destinada ao paciente COM DESIDRATAÇÃO GRAVE. Nessa situação o paciente deverá ser transferido o mais rapidamente possível. Os primeiros cuidados na unidade de saúde são importantíssimos e já devem ser efetuados à medida que o paciente seja encaminhado ao serviço hospitalar de saúde.

  • Realizar reidratação endovenosa no serviço saúde (fases rápida e de manutenção);
  • O paciente deve ser reavaliado após duas horas, se persistirem os sinais de choque, repetir a prescrição; caso contrário, iniciar balanço hídrico com as mesmas soluções preconizadas;
  • Administrar por via oral a solução de SRO em doses pequenas e frequentes, tão logo o paciente aceite. Isso acelera a sua recuperação e reduz drasticamente o risco de complicações.
  • Suspender a hidratação endovenosa quando o paciente estiver hidratado, com boa tolerância à solução de SRO e sem vômitos.

 Para tratamento detalhado acesse aqui o Manejo do Paciente com Diarreia.

OBSERVAÇÃO: O Tratamento com antibiótico deve ser reservado apenas para os casos de DDA com sangue ou muco nas fezes (disenteria) e comprometimento do estado geral ou em caso de cólera com desidratação grave, sempre com acompanhamento médico.

Quais são as possíveis complicações das doenças diarreicas agudas?

A principal complicação é a desidratação, que se não for corrigida rápida e adequadamente, em grande parte dos casos, especialmente em crianças e idosos, pode causar complicações mais graves.

O paciente com diarreia deve estar atento e voltar imediatamente ao serviço de saúde se não melhorar ou se apresentar qualquer um dos sinais e sintomas:

  • Piora da diarreia.
  • Vômitos repetidos.
  • Muita sede.
  • Recusa de alimentos.
  • Sangue nas fezes.
  • Diminuição da urina.

Como ocorre a transmissão das doenças diarreicas agudas?

A transmissão das doenças diarreicas agudas pode ocorrer pelas vias oral ou fecal-oral.

  • Transmissão indireta -Pelo consumo de água e alimentos contaminados e contato com objetos contaminados, como por exemplo, utensílios de cozinha, acessórios de banheiros, equipamentos hospitalares.
  • Transmissão direta -Pelo contato com outras pessoas, por meio de mãos contaminadas e contato de pessoas com animais.

Os manipuladores de alimentos e os insetos podem contaminar, principalmente, os alimentos, utensílios e objetos capazes de absorver, reter e transportar organismos contagiantes e infecciosos. Locais de uso coletivo, como escolas, creches, hospitais e penitenciárias apresentam maior risco de transmissão das doenças diarreicas agudas.

O período de incubação, ou seja, tempo para que os sintomas comecem a aparecer a partir do momento da contaminação/infecção, e o período de transmissibilidade das DDA são específicos para cada agente etiológico.

Quadro 1 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença causada pelas principais bactérias envolvidas nas doenças diarreicas agudas

Agente etiológico

Manifestações clínicas

Período de incubação

Duração da doença

 

Diarreia

Febre

Vômito

 

Bacillus cereus

Geralmente pouco importante

Rara

Comum

1 a 6 horas

24 horas

 

Staphylococcus aureus

Geralmente pouco importante

Rara

Comum

1 a 6 horas

24 horas

 

Campylobacter spp.

Pode ser disentérica

Variável

Variável

1 a 7 dias

1 a 4 dias

 

Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC)

Aquosa, pode ser profusa

Variável

Eventual

12 horas a 3 dias

3 a 5 dias

 
 

Escherichia coli 

enteropatogênica (EPEC)

Aquosa, pode ser profusa

Variável

Variável

2 a 7 dias

1 a 3 semanas

 

Escherichia coli enteroinvasiva (EIEC)

Pode ser disentérica

Comum

Eventual

2 a 3 dias

1 a 2 semanas

 

Escherichia coli 

enterohemorrágica (EHEC)

Inicia aquosa, com sangue a seguir

Rara

Comum

3 a 5 dias

1 a 12 dias

 

Salmonella  spp (não tifoide)

Pastosa, aquosa, às vezes, com sangue

Comum

Eventual

8 horas a 2 dias

5 a 7 dias

 

Shigella spp.

Pode ser disentérica

Comum

Eventual

1 a 7 dias

4 a 7 dias

 

Yersinia enterocolitica

Mucosa, às vezes, com presença de sangue

Comum

Eventual

2 a 7 dias

1 dia a 3 semanas

 

Vibrio cholerae

Pode ser profusa e aquosa

Geralmente afebril

Comum

5 a 7 dias

3 a 5 dias

 

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.

Quadro 2 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença causada pelos principais vírus envolvidos nas doenças diarreicas agudas

Agente etiológico

Manifestações clínicas

   

Diarreia

Febre

Vômito

Período de incubação

Duração da doença

 

Astrovírus

Aquosa

Eventual

Eventual

1 a 14 dias

1 a 14 dias

 

Calicivírus

Aquosa

Eventual

Comum em crianças

1 a 3 dias

1 a 3 dias

 

Adenovírus entérico

Aquosa

Comum

Comum

7 a 8 dias

8 a 12 dias

 

Norovírus

Aquosa

Rara

Comum

18 horas a 2 dias

12 horas a
2 dias

 

Rotavírus grupo A

Aquosa

Comum

Comum

1 a 3 dias

5 a 7 dias

 

Rotavírus grupo B

Aquosa

Rara

Variável

2 a 3 dias

3 a 7 dias

 

Rotavírus grupo C

Aquosa

Ignorado

Ignorado

1 a 2 dias

3 a 7 dias

 
               

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.

Quadro 3 – Manifestações clínicas, período de incubação e duração da doença causa pelos principais parasitas envolvidos nas doenças diarreicas agudas

Agente etiológico

Manifestações clínicas

Período de incubação

Duração da doença

Diarreia

Febre

Abdômen

Balantidium coli

Eventual com muco ou sangue

Rara

Dor

Ignorado

Ignorado

Cryptosporidium spp.

Abundante e aquosa

Eventual

Cãibra eventual

1 a 2 semanas

4 dias a 3 semanas

Entamoeba histolytica

Eventual com muco ou sangue

Variável

Cólica

2 a 4 semanas

Semanas a meses

Giardia lamblia

Incoercíveis fezes claras e gordurosas

Rara

Cãibra/ Distensão

5 a 25 dias

Semanas a anos

Cystoisospora belli

Incoercível

Ignorado

Ignorado

2 a 15 dias

2 a 3 semanas

Fonte: Guia de Vigilância em Saúde. Brasil, 2017.

Como prevenir as doenças diarreicas agudas?

As intervenções para prevenir a diarreia incluem ações institucionais de saneamento e de saúde, além de ações individuais que devem ser adotadas pela população:

  • Lave sempre as mãos com sabão e água limpa principalmente antes de preparar ou ingerir alimentos, após ir ao banheiro, após utilizar transporte público ou tocar superfícies que possam estar sujas, após tocar em animais, sempre que voltar da rua, antes e depois de amamentar e trocar fraldas.
  • Lave e desinfete as superfícies, os utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos.
  • Proteja os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guarde os alimentos em recipientes fechados).
  • Trate a água para consumo (após filtrar, ferver ou colocar duas gotas de solução de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, aguardar por 30 minutos antes de usar).
  • Guarde a água tratada em vasilhas limpas e com tampa, sendo a “boca” estreita para evitar a recontaminação;
  • Não utilize água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados para banhar ou beber.
  • Evite o consumo de alimentos crus ou malcozidos (principalmente carnes, pescados e mariscos) e alimentos cujas condições higiênicas, de preparo e acondicionamento, sejam precárias.
  • Ensaque e mantenha a tampa do lixo sempre fechada; quando não houver coleta de lixo, este deve ser enterrado em local apropriado.
  • Use sempre o vaso sanitário, mas se isso não for possível, enterre as fezes sempre longe dos cursos de água;
  • Evite o desmame precoce. Manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra as diarreias.

Situação epidemiológica das doenças diarreicas agudas (diarreia aguda)

Os casos individuais de DDA são de notificação compulsória em unidades sentinelas para monitorização das DDA (MDDA). O principal objetivo da Vigilância Epidemiológica das Doenças Diarreicas Agudas (VE-DDA) é monitorar o perfil epidemiológico dos casos, visando detectar precocemente surtos, especialmente os relacionados a: acometimento entre menores de cinco anos; agentes etiológicos virulentos e epidêmicos, como é o caso da cólera; situações de vulnerabilidade social; seca, inundações e desastres. Os casos de DDA são notificados no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica das DDA (SIVEP_DDA) e o monitoramento é realizado pelo acompanhamento contínuo dos níveis endêmicos para verificar alteração do padrão da doença em localidades e períodos de tempo determinados. Diante da identificação de alterações no comportamento da doença, deve ser realizada investigação e avaliação de risco para subsidiar as ações necessárias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as doenças diarreicas constituem a segunda principal causa de morte em crianças menores de cinco anos, embora sejam evitáveis e tratáveis. As DDA são as principais causas de morbimortalidade infantil (em crianças menores de um ano) e se constituem um dos mais graves problemas de saúde pública global, com aproximadamente 1,7 bilhão de casos e 525 mil óbitos na infância (em crianças menores de 5 anos) por ano. Além disso, as DDA estão entre as principais causas de desnutrição em crianças menores de cinco anos.

Uma proporção significativa das doenças diarreicas é transmitida pela água e pode ser prevenida através do consumo de água potável, condições adequadas de saneamento e hábitos de higiene. No Brasil, segundo estatísticas do IBGE, em 2016, 87,3% dos domicílios ligados à rede geral tinham disponibilidade diária de água, percentual que era de 66,6% no Nordeste, onde em 16,3% dos domicílios o abastecimento ocorria de uma a três vezes por semana e em 11,2% dos lares, de quatro a seis vezes. A região Norte apresentava o menor percentual de domicílios em que a principal forma de abastecimento de água era a rede geral de distribuição (59,8%). Por outro lado, a região se destacava quando se tratava de abastecimento através de poço profundo ou artesiano (20,3%); poço raso, freático ou cacimba (12,7%); e fonte ou nascente (3,1%).

Outra preocupação é a ocorrência de  inundações e secas induzidas por mudanças climáticas, que podem afetar as condições de  acesso de muitas famílias aos serviços de abastecimento de água e saneamento, expondo populações a riscos relacionados à saúde. Além disso, as inundações podem dispersar diversos contaminantes fecais, aumentando os riscos de surtos de doenças transmitidas pela água. No caso da escassez de água devido à seca, a utilização de fontes alternativas de água sem tratamento adequado, incluindo água de caminhão pipa, também aumenta os riscos de adoecimento por doenças diarreicas.

A seca e a estiagem são, entre os tipos de desastre, os que mais afetam a população brasileira (50,34%), por serem mais recorrentes, atingindo mais fortemente as regiões Nordeste, Sul e parte do Sudeste. As inundações são a segunda tipologia de desastres de maior recorrência no Brasil e atingem todas as regiões do país, causando impactos significativos sobre a saúde das pessoas e a infraestrutura de saúde.

Nesse cenário diversificado das regiões do país, relacionado ao desenvolvimento socioeconômico, às condições de saneamento, ao clima e às situações adversas, como os desastres, ocorrem anualmente, mais de 4 milhões de casos e mais de 4 mil óbitos por DDA, registrados por meio da vigilância epidemiológica em unidades sentinelas e pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Para acessar os dados disponíveis sobre o perfil epidemiológico das DDA, acesse aqui.

Viajantes - doenças diarreicas agudas (diarreia)

Entre os viajantes a DDA é a doença mais previsível, sendo conhecida como “diarreia dos viajantes”. As infecções causadas por bactérias representam de 80 a 90% e as virais de 5 a 8%. Embora os cuidados individuais de prevenção como “lavar as mãos, ferver a água e cozinhar bem os alimentos” sejam práticas que reduzem as infecções e consequentemente a DDA, estudos revelam que as pessoas que seguem essas regras ainda podem ficar doentes, pois a falta de práticas de higiene nos restaurantes locais é provavelmente o maior contribuinte para o risco da “diarreia do viajante”.

Portanto, várias abordagens podem ser recomendadas para reduzir, mas nunca eliminar completamente o risco.

As recomendações incluem instruções relativas à seleção de alimentos/bebidas e lavagem cuidadosa das mãos com sabonete. Quando a lavagem das mãos não for possível, a aquisição de pequenos recipientes de desinfetantes à base de álcool a 70% pode facilitar a limpeza das mãos antes de comer, após o uso do banheiro, antes e após trocar fraldas, após utilização de transporte público, etc.

Saiba mais em Saúde do Viajante e Travelers diarrhea - CDC

Publicações - doenças diarreicas agudas (diarreia)

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