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Febre do Mayaro

Febre do Mayaro: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por Leonardo | | Publicado: Sexta, 16 de Agosto de 2019, 13h07 | Última atualização em Sexta, 16 de Agosto de 2019, 15h58

O que é Febre do Mayaro?

A Febre do Mayaro é uma doença infecciosa febril aguda, cujo quadro clínico geralmente é de curso benigno, semelhante à Dengue e à Chikungunya. A doença é causada pelo vírus (Mayaro (MAYV), um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) da família Togaviridae, gênero Alphavirus, assim como o vírus Chikungunya (CHIKV), ao qual é relacionado genética e antigenicamente. O vírus Mayaro foi isolado pela primeira vez em Trinidad, em 1954, e o primeiro surto no Brasil foi descrito em 1955, às margens do rio Guamá, próximo de Belém/PA. Desde então, casos esporádicos e surtos localizados têm sido registrados nas Américas, incluindo a região Amazônica do Brasil, principalmente nos estados das regiões Norte e Centro-Oeste. A febre do Mayaro compõe a lista nacional de doenças de notificação compulsória imediata, conforme Portaria de Consolidação nº 4, de 28 de setembro de 2017.

 

Como ocorre a transmissão da Febre do Mayaro?

O ciclo epidemiológico do vírus Mayaro (MAYV) é semelhante ao da Febre Amarela Silvestre e se dá com a participação de mosquitos silvestres, principalmente do gênero Haemagogus, com hábitos estritamente diurnos e que vivem nas copas das árvores, o que favorece o contato com os hospedeiros animais. Nesse ciclo, os primatas são os principais hospedeiros do vírus e o homem é considerado um hospedeiro acidental. Possivelmente, outros gêneros de mosquitos participam do ciclo de manutenção do vírus na natureza, tais como Culex, Sabethes, Psorophora, Coquillettidia e Aedes; além de outros hospedeiros vertebrados como pássaros, marsupiais, xenartras (preguiças, tamanduás e tatus) e roedores, que podem atuar na amplificação e manutenção do vírus em seu ambiente natural. Dada a comprovação em laboratório da possiblidade de infecção do Aedes aegypti pelo MAYV (competência vetorial) e de achados de infecção natural, considera-se haver risco potencial de transmissão urbana, que poderia eventualmente ser sustentada num ciclo homem-mosquito-homem.

                Não existe transmissão de uma pessoa para outra diretamente. O sangue dos doentes é infectante para os mosquitos durante o período de viremia, que dura em média 5 dias. A transmissão ocorre a partir da picada de mosquitos fêmeas que se infectam ao se alimentar do sangue de primatas (macacos) ou humanos infectados com o MAYV. Depois de infectados, e após um período de incubação extrínseca (em torno de 12 dias), os mosquitos podem transmitir o vírus por toda a vida. Assim como a febre amarela, a doença pelo vírus Mayaro é considerada uma zoonose silvestre e, portanto, de impossível eliminação. O homem é considerado um hospedeiro acidental, quando frequenta o habitat natural de hospedeiros, reservatórios e vetores silvestres infectados.

Quais são os sintomas da Febre do Mayaro?

As manifestações clínicas nos pacientes com Febre do Mayaro são semelhantes àquelas provocadas pelo vírus Chikungunya e outros arbovírus. O quadro clínico inicia-se com síndrome febril aguda inespecífica, e que pode acompanhar cefaleia (dor de cabeça), mialgia (dor muscular) e exantema (manchas avermelhadas na pele), dificultando o diagnóstico diferencial, assim como a determinação da incidência da Febre do Mayaro. A artralgia (dor nas articulações), que pode ser acompanhada de edema (inchaço) articular, é o principal sintoma das formas severas e, ocasionalmente, pode ser incapacitante ou limitante, persistindo por meses. Casos graves podem apresentar encefalite (inflamação no cérebro), mas na maioria dos casos a doença é autolimitada, com o desaparecimento dos sintomas em uma semana.

Depois de identificar alguns desses sintomas, é preciso procurar um médico na unidade de saúde mais próxima e informar sobre residência, trabalho, passeio ou qualquer viagem para áreas rurais, de mata ou silvestres, nos últimos 15 dias antes do início dos sintomas. Também é importante informar se, no local visitado recentemente, foi observada a presença de macacos, sadios ou doentes. Além disso, é aconselhado relatar as atividades realizadas e o uso de repelentes e roupas protetoras a picadas de insetos.

IMPORTANTE:  :  A Febre do Mayaro não é contagiosa, portanto, não há transmissão de pessoa a pessoa ou de animais a pessoas. Ela é transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus Mayaro.

Como é feito o diagnóstico da Febre do Mayaro?

O diagnóstico da Febre do Mayaro é clínico, epidemiológico e laboratorial.

A suspeita se dá a partir da avaliação clínica do paciente, com base nos sintomas descritos, e do histórico de exposição a situações de risco nos 15 dias que antecedem o início dos sintomas. Em decorrência das similaridades com outras arboviroses, principalmente Chikungunya, o diagnóstico laboratorial é fundamental para a conclusão da causa etiológica, em conjunto com os achados clínicos e epidemiológicos. O diagnóstico laboratorial pode ser realizado a partir de provas diretas (isolamento viral, biologia molecular) ou indiretas (sorologias).

Como é feito o tratamento da Febre do Mayaro?

Não existe terapia específica ou vacina. Os pacientes devem permanecer em repouso, acompanhado de tratamento sintomático, com analgésicos e/ou drogas anti-inflamatórias, que podem proporcionar alívio da dor e da febre.

Como prevenir a Febre do Mayaro?

Considerando que atualmente não existe uma vacina disponível e que não é possível eliminar o ciclo silvestre de transmissão do vírus , as medidas de prevenção consistem em evitar o contato com áreas de ocorrência e/ou minimizar a exposição à picada do vetor, seja por meio de recursos de proteção individual (uso de repelentes, roupas compridas) ou coletiva (uso de cortinas; mosquiteiros, principalmente em área rural e silvestre, além de evitar exposição em área afetada), visando minimizar o contato homem e vetor silvestre.

É indicado evitar exposição com corpo desprotegido em locais de mata e beira de rios, principalmente nos horários de maior atividade do vetor (entre 9 e 16 horas). Também é indicado utilizar roupas compridas, que minimizem a exposição aos vetores silvestres, preferencialmente acompanhado do uso de repelentes. Cuidado adicional deve ser tomado nas áreas com ocorrência recente de transmissão do vírus Mayaro.

Dessa forma, recomenda-se:

  • evitar exposição em áreas de mata sobretudo desprotegido, durante o período de maior atividade do mosquito transmissor da doença;
  • uso de roupas compridas e repelentes podem ajudar a evitar contato com o vetor silvestre e diminuir o risco de infecção;
  • uso de cortinas; mosquiteiros, principalmente em área rural e silvestre;
  • evitar exposição em área afetada (com transmissão ativa).

Viajantes e a Febre do Mayaro

O vírus Mayaro é considerado endêmico na região Amazônica, que envolve os estados da região Norte e Centro-Oeste. O vírus ocorre em área de mata, rural ou silvestre e geralmente afeta indivíduos susceptíveis que adentram espaços onde macacos e vetores silvestres habitam.

Uso de roupas compridas e de repelentes podem ajudar a evitar o contato com o vetor silvestre e diminuir o risco de infecção pelo vírus Mayaro. Cuidado especial deve ser observado em áreas endêmicas e recentemente afetadas.

Recomendações para a Vigilância

  • Vigilância Epidemiológica

O vírus Mayaro é considerado endêmico na região Amazônica, que envolve os estados da região Norte e Centro-Oeste. O vírus ocorre em área de mata, rural ou silvestre e geralmente afeta indivíduos susceptíveis que adentram espaços onde macacos e vetores silvestres habitam.

Uso de roupas compridas e de repelentes podem ajudar a evitar o contato com o vetor silvestre e diminuir o risco de infecção pelo vírus Mayaro. Cuidado especial deve ser observado em áreas endêmicas e recentemente afetadas.

Recomenda-se intensificar a vigilância epidemiológica como estratégia de preparação para a primavera e o verão, quando os índices de chuva e a temperatura aumentam, favorecendo a transmissão das doenças transmitidas por vetores. Assim, recomenda-se:

  • Alertar a rede de serviços do SUS para ampliar a vigilância de casos suspeitos, sobretudo nas regiões endêmicas e recentemente afetadas;
  • Notificar eventos suspeitos ao MS, pelo meio mais rápido:
  • Investigar a exposição (rural/silvestre ou urbana) e definir o(s) LPI;
  • Realizar busca ativa de indivíduos sintomáticos no(s) LPI;
  • Realizar busca de evidências de populações de PNH e epizootias no(s) LPI;
  • Ampliar a informação, educação e comunicação sobre a doença, os sinais e sintomas clínicos, as áreas de risco (silvestre, mata e/ou rural), as atividades/situações de exposição e as unidades de saúde de referência para atendimento:
    • Aos profissionais e serviços de saúde;
    • Aos moradores das áreas de foco;
    • À população em geral, da região dos municípios afetados;
    • Aos viajantes com destino às áreas endêmicas e afetadas.
  • Orientar sobre as medidas de prevenção, por meio de recursos de proteção individual (uso de repelentes, roupas compridas) e coletiva (evitar exposição em área afetada, uso de cortina e mosquiteiros em área rural e silvestre), evitando o contato com o vetor.
Instruções para notificação no SINAN
As suspeitas de Febre do Mayaro devem ser notificadas por meio da ficha de Notificação/Conclusão, utilizando-se o CID A93.8 (Outras Febres Virais especificadas transmitidas por artrópodes).
  • Definição de caso humano suspeito de Febre do Mayaro

Indivíduo que apresentou febre e artralgia e/ou edema articular, acompanhado de cefaleia, e/ou mialgia e/ou exantema, com exposição nos últimos 15 dias (ou moradia) em área silvestre, rural ou de mata, em todo o território nacional.

Diante da detecção de casos suspeitos, deve-se:

  • Preencher a ficha de notificação e realizar investigação;
  • Notificar imediatamente ao MS e encaminhar a ficha de notificação e investigação;
  • Colher amostras para diagnóstico e, por meio da rede de laboratórios de saúde pública (LACEN), enviar ao laboratório de referência;
  • Realizar a busca ativa de casos suspeitos e epizootias de PNH no(s) LPI;
  • Informar, educar e comunicar aos moradores da região da área afetada, sobre a doença, sinais e sintomas, as unidades de saúde para atendimento e as medidas de prevenção.
  • Colheita de amostras para o diagnóstico laboratorial

  • Pacientes com até 5 dias após início dos sintomas (período de viremia):
    • Colher amostras de sangue e soro para Isolamento viral e/ou pesquisa de genoma viral. Armazenar em ultrabaixa temperatura, preferencialmente em nitrogênio líquido; gelo seco; ou freezer -70ºC (eventualmente -20ºC) e na impossibilidade das anteriores, manter em refrigeração e encaminhar ao LACEN o mais rápido possível para armazenamento adequado.
  • Pacientes após 5 dias do início dos sintomas:
    • Colher amostras do soro, cuja finalidade será a pesquisa de anticorpos (sorologia (ELISA) IgM; Inibição da hemaglutinação (IH) e/ou neutralizantes (PRNT)). Armazenar em ultrabaixa temperatura e encaminhar ao LACEN.
  • Na ocorrência de óbitos suspeitos:
    • Colher amostras dos principais tecidos (Fígado, baço, rins, coração, pulmão e cérebro), em duplicata. As amostras devem ser armazenadas e enviadas tanto para a pesquisa de vírus (ultrabaixa temperatura) como para exames histopatológicos e imunohistoquímicos, quando devem ser acondicionadas em formol (10%) e mantidas em temperatura ambiente.

Todas as amostras devem ser encaminhadas ao LACEN, que enviará ao laboratório de referência nacional, instituto Evandro Chagas, o mais breve possível.

  • Vigilância de Epizootias em Primatas Não Humanos

Embora o adoecimento ou a morte de primatas não seja associada às transmissões do vírus Mayaro, sabe-se que os PNH atuam como importantes hospedeiros vertebrados. Dada a similaridade com o ciclo de transmissão da febre amarela, o registro de mortes de PNH pode contribuir para a investigação e monitoramento de outros arbovírus, como o Mayaro, uma vez que já foi descrito a ocorrência concomitantes de surtos de febre amarela e Mayaro no Brasil. Assim, a morte ou adoecimento de PNH devem ser notificados ao Ministério da Saúde de forma imediata, desencadeando a investigação local, em tempo oportuno.

Os procedimentos para vigilância e notificação de epizootias de PNH estão descritos no Guia de Vigilância de Epizootias em PNH e Entomologia aplicada à febre amarela, disponível em: (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdf).

  • Definição de epizootia em PNH

Primata não humano (PNH), encontrado doente ou morto (incluindo ossadas), em qualquer local do território nacional.

Diante da detecção de PNH doentes ou mortos, deve-se:

  • Preencher a ficha de notificação e realizar investigação;
  • Notificar imediatamente ao MS pelo meio mais rápido:
  • Encaminhar a ficha de notificação e o relatório da investigação inicial;
  • Colher amostras para diagnóstico e enviá-las aos laboratórios de referência da rede do SUS por meio da rede de laboratórios de saúde pública (LACEN);
  • Avaliar a área de ocorrência quanto à recomendação de vacina febre amarela;
  • Avaliar estimativa de cobertura vacinal e iniciar a vacinação seletiva, quando indicado;
  • Realizar a busca ativa de casos humanos suspeitos e novas epizootias no(s) LPI;
  • Informar, educar e comunicar aos moradores da área afetada, alertando sobre a importância dos PNH como sinalizadores de risco de febre amarela e outras ameaças à saúde da população.

Maiores informações podem ser obtidas nos sites oficiais do Ministério da Saúde, ou pelos e-mails gt-arbo@saude.gov.br e/ou notifica@saude.gov.br. 

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