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Situação epidemiológica

Escrito por Alessandra Bernardes | | Publicado: Terça, 14 de Novembro de 2017, 17h35 | Última atualização em Segunda, 06 de Agosto de 2018, 15h47

Atualmente no Brasil são reconhecidos três perfis epidemiológicos associados à Febre Maculosa (FM):

  • FM predominante na região sudeste do Brasil, onde a R. rickettsii é o agente etiológico, associado ao carrapato Amblyomma sculptum (previamente conhecido como Amblyomma cajennense, “carrapato estrela”) como vetor competente. Animais domésticos e silvestres tais como cavalos e capivaras mantem as populações de carrapatos na natureza, além do papel pontual das capivaras como hospedeiros amplificadores naturais da R. rickettsii. O risco de infecção para os humanos tem sido relacionado com fatores exposicionais que favorecem o contato com os carrapatos, principalmente em áreas rurais (atividades de lazer, pescaria, contato com capivaras, atividades de fazenda) e o quadro clínico tipicamente caracteriza-se por febre de inicio abrupto, erupção cutânea, manifestações icterohemorrágicas, evolução rápida, grave, e alta letalidade. Quanto à sazonalidade, a maioria dos casos se apresenta entre os meses de junho e novembro, coincidindo com a maior abundancia dos estágios ninfais do carrapato Amblyomma sculptum. A maioria dos casos (>70%) tem sido notificada em adultos do sexo masculino, estando fortemente relacionado a atividades ocupacionais em áreas habitadas por capivaras (ex. margens de rios e lagos).
  • FM predominante na região metropolitana de São Paulo (áreas urbanas que tem divisa com fragmentos de Mata Atlântica), onde a R. rickettsii também é o agente etiológico, porém, o vetor é o carrapato Amblyomma aureolatum. Neste perfil, cães e gatos com acesso livre aos fragmentos de Mata Atlântica são parasitados por estágios adultos de A. aureolatum, levando-os ao domicílio e peridomicílio, com o subsequente risco de parasitismo para os humanos. O contato prévio como aninais domésticos (principalmente cães) é apontado como um dos principais fatores exposicionais. O quadro clínico nos humanos não apresenta diferencias quanto ao perfil anterior e não existe um padrão de sazonalidade especifico. A incidência dos casos confirmados tem sido semelhante nos dois sexos, porém há uma parcela significativa em crianças (inclusive bebês), estando fortemente relacionado à transmissão intradomiciliar. Há uma suspeita que o carrapato do cão urbano, Rhipicephalus sanguineus sensu lato, também possa atuar como vetor nessas áreas, onde ele tem sido encontrado infectado por R. rickettsii em áreas com presença do vetor primário, A. aureolatum.
  • Febre maculosa associada à escara de inoculação, predominante em áreas de Mata Atlântica nas regiões sul, sudeste e nordeste, onde a Rickettsia sp. cepa Mata Atlântica é o agente etiológico, associado principalmente ao carrapato Amblyomma ovale como vetor competente. Neste perfil, os humanos têm risco de entrar em contato com os estágios adultos de A. ovale, seja por atividades diversas em áreas preservadas de Mata Atlântica, ou no domicilio/peridomicílio pela convivência com cães que têm acesso livre a áreas de Mata Atlântica (de onde vêm parasitados com carrapatos). As manifestações clínicas, com presença de febre, escara de inoculação, erupção cutânea e linfadenopatia, tendem a ser menos severas ao quadro clínico desencadeado por R. rickettsii. Por outro lado, segundo os poucos casos confirmados, além dos dados epidemiológicos dos estados brasileiros onde essa riquetsiose parece ser predominante (ex. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro e Ceará), a evolução da doença não é grave e sem letalidade associada. Por enquanto não tem sido definido um padrão de sazonalidade especifico.

Como fato interessante, segundo pesquisas recentes é provável que exista um quarto perfil epidemiológico no Brasil, relacionado a febre maculosa associada a escara de inoculação, predominante, por enquanto, no bioma Pampa brasileiro (estado do Rio Grande do Sul), onde foram coletados carrapatos adultos de Amblyomma tigrinum infectados com a espécie patogênica Rickettsia parkeri em áreas rurais com relatos prévios de febre maculosa em humanos. Este perfil é semelhante com o padrão epidemiológico sugerido em algumas regiões da Argentina onde A. tigrinum é apontado como o vetor da R. parkeri e também em outros países, onde Amblyomma triste  e Amblyomma maculatum, são vetores reconhecidos de R. parkeri para humanos.

Notificação de casos suspeitos

De acordo com a Portaria do MS de consolidação Nº 4 de 03 de outubro de 2017 todo caso de febre maculosa é de notificação obrigatória às autoridades locais de saúde. Deve-se realizar a investigação epidemiológica em até 48 horas após a notificação, avaliando a necessidade de adoção de medidas de controle pertinentes. A investigação deverá ser encerrada até 60 dias após a notificação. A unidade de saúde notificadora deve utilizar a ficha de notificação/investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan encaminhando-a para ser processada, conforme o fluxo estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde.

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