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CULTURA DE PAZ

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Segunda, 30 de Março de 2015, 15h53 | Última atualização em Quinta, 02 de Julho de 2015, 11h43

O que Cultura de Paz tem a ver com Saúde?  

A própria concepção de saúde é uma manifestação da cultura de paz. Segundo a OMS, a saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença (OMS, 1946). Essa é uma perspectiva ampla de saúde, que não se restringe ao indivíduo, mas contempla também a coletividade, a sociedade e o planeta.

No Brasil, a Constituição Federal determina que a Saúde é um direito de todos e dever do Estado e garante a todas as pessoas acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. No nosso país a saúde não é considerada um bem (que pode ser adquirido por aqueles que têm recursos), mas um direito intrínseco de todas as pessoas, não só brasileiros (as) como de qualquer pessoa em território nacional.

Os princípios do SUS são o resultado de um amplo processo democrático denominado Reforma Sanitária, que refletem um olhar inclusivo, solidário e democrático. Todo o sistema de saúde no Brasil é construído sobre valores intimamente associados à Cultura de Paz. A universalidade do acesso, que permite a todas possam ser atendidas, independente de qualquer tipo de contribuição é uma das manifestações dessa relação.

A missão dos (as) profissionais que se dedicam a área da saúde: cuidar das pessoas, ajudá-las a recuperar a saúde ou então promover a saúde para que não adoeçam e tenham uma vida mais significativa e feliz é a própria tradução da Cultura de Paz.

O Setor Saúde e cada profissional que se dedica à área (seja na gestão, na promoção, ou na atenção) ao trabalhar pela efetivação dos princípios do SUS, praticando valores positivos em benefício das pessoas e da sociedade está contribuindo para a construção de uma Cultura de Paz.

 

Políticas públicas e Cultura da Paz

É importante ressaltar que a Cultura de Paz não pode ser somente um conjunto de prescrições ou valores, é necessário colocá-la em prática.  Um exemplo de iniciativa relacionada à Cultura de Paz é o Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito, assinado em 2011 por órgãos do governo federal, cujo objetivo é mobilizar a sociedade em benefício da vida com ações que diminuam os altos índices de acidentes de trânsito, tanto nas cidades quanto nas rodovias e estradas brasileiras. 

A Política Nacional de Promoção da Saúde estão intrinsecamente ligada à Cultura de Paz, na medida em que visa à promoção da equidade e da melhoria das condições e dos modos de viver, ampliando a potencialidade da saúde individual e coletiva e reduzindo vulnerabilidades e riscos à saúde decorrentes dos determinantes sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais. 

A Política Nacional de Humanização (PNH) do SUS é outro exemplo de promoção da Cultura de Paz, cujo objetivo é concretizar os princípios do SUS no cotidiano da atenção e gestão na saúde pública no Brasil, incentivando trocas solidárias entre gestores (as), trabalhadores (as) e usuários(as) do sistema de saúde. São diretrizes dessa política: o acolhimento, gestão participativa e cogestão, ambiência, a valorização dos (as) trabalhadores (as) e a defesa dos direitos dos(as) usuários(as). 

Considerando que atualmente os acidentes e violências constituem grave problema de saúde pública no país, foi instituída a Política Nacional de Redução de Morbimortalidade por Acidentes e Violências que tem como uma das diretrizes a promoção da adoção de comportamentos e de ambientes seguros e saudáveis. O tema dos acidentes e violências está incluído num conceito amplo de saúde, que abrange não só as questões biomédicas, mas também as relativas aos estilos de vida e ao conjunto de condicionantes sociais, históricos e ambientais. 

No Ministério da Saúde há diversas políticas que visam a promoção da equidade dos (as) usuário s(as) tais como as Políticas Nacionais de Saúde Integral de populações específicas, como as da população negra e população LGBT. 

Constituem outros exemplos particularmente relacionados à promoção da saúde: Programa Academia da Saúde, a Estratégia Municípios/Territórios Saudáveis, o Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente, entre outras iniciativas. 

É importante identificar e valorizar as boas práticas tanto da sociedade civil organizada quanto no âmbito governamental, pois há diversas iniciativas valorosas que se relacionam com a promoção da Cultura de Paz, mas que não necessariamente são identificadas com esse ‘selo’.

 

A relação entre a violência e Cultura da Paz

A relação entre a violência e Cultura da Paz se estabelece a partir do entendimento de que a repressão e punição aos atos violentos não é suficiente para uma transformação do indivíduo (autor/a da violência) e da sociedade. Aquele ser que praticou violência não é em si mesmo a violência: deve ser responsabilizado pelos seus atos, mas deve também ter acesso aos meios para superação daquela condição. 

A ponte entre a cultura da paz e o enfrentamento às violências vem da compreensão de que muitos comportamentos violentos são aprendidos socialmente, não são expressões naturais da humanidade e nem estão associados a determinado gênero ou grupo social. 

Considerando que a violência é um comportamento que é ensinado, é necessário acreditar que as pessoas de todas as idades podem e devem aprender a resolver seus problemas sem agressividade, através do diálogo e da expressão saudável das suas emoções.

Para as pessoas que vivenciaram algum tipo de violência, deve ser garantido o atendimento humanizado e qualificado. 

A visão da Cultura de Paz indica que a promoção de uma vida humana saudável e significativa é a forma mais efetiva de prevenir a violência.

 

UNESCO e os princípios da Cultura de Paz

 

Na esfera internacional, a Cultura de Paz constitui um tema de interesse da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que instituiu o ano de 2000 como o “Ano Internacional da Cultura de Paz” e o período entre 2001 e 2010  “A Década Internacional para uma Cultura de Paz e da Não-Violência para as Crianças do Mundo”. Em 1998, por ocasião da celebração dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, um seleto grupo de ganhadores do Prêmio Nobel da Paz redigiu o “Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e Não-Violência”. O documento afirma que é da responsabilidade de cada ser humano traduzir os valores, atitudes e padrões de comportamento que inspiram a Cultura de Paz em realidades da vida diária e isso deve acontecer tanto no âmbito da vida particular, quanto nas relações entre as comunidades e no mundo do trabalho.

São os compromissos do Manifesto:

 

1. Respeitar a vida

Respeitar a vida e a dignidade de qualquer pessoa sem discriminar ou prejudicar.

 

2. Rejeitar a violência

Praticar a não violência ativa, repelindo a violência em todas as suas formas: física, social, psicológica, econômica, particularmente diante das pessoas mais vulneráveis, como as crianças e adolescentes.

 

3. Ser generoso (a)

Compartilhar tempo e recursos materiais cultivando a generosidade, para acabar com a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica.

 

4. Ouvir para compreender

Defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre a escuta e o diálogo, sem ceder ao fanatismo, nem a maledicência e ao rechaço ao próximo.

 

5. Preservar o planeta

Promover o consumo responsável, e um modelo de desenvolvimento que tenha em conta a importância de todas as formas de vida e o equilíbrio dos recursos naturais do planeta.

 

6. Redescobrir a solidariedade

Contribuir para o desenvolvimento da comunidade, propiciando a plena participação das mulheres e o respeito aos princípios democráticos, para criar novas formas de solidariedade.

 

 

 

 

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