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Vigilância Nilo

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Terça, 08 de Dezembro de 2015, 10h40 | Última atualização em Terça, 07 de Agosto de 2018, 16h21

1- DA CONTEXTUALIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA:

A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma doença febril aguda causada por um flavivírus transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex sp., que foi descrita inicialmente na África e, durante décadas, manteve-se restrita aos continentes Europeu, Africano e Asiático. No final do século passado, em 1999, o vírus emergiu nas Américas, a partir dos Estados Unidos, onde se disseminou e atingiu o Canadá e o México, seguidos de países das Américas Central e do Sul nos anos subsequentes. Diante daquele contexto, em 2003 foi criado o Sistema Nacional de Vigilância da Febre do Nilo Ocidental no Brasil, com base nas recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde então, achados sorológicos em animais, equídeos e aves, sugerem a circulação do vírus nas Américas assim como no Brasil, com os primeiros estudos que deram indícios da transmissão realizados na região do Pantanal, seguido de novos registros em diversas regiões do país. Entretanto, o primeiro caso humano registrado da FNO no Brasil só foi documentado em 2014, no Piauí. Naquela ocasião, um vaqueiro de Aroeiras do Itaim (350km de Teresina) apresentou encefalite, que resultou no 1º caso humano com diagnóstico da FNO no país, por meio da detecção de anticorpos IgM (MAC-ELISA) e neutralizantes (PRNT) em amostras de soro e líquor (LCR). O paciente progrediu para a cura, embora tenha apresentando sequelas em decorrência do dano neurológico. Naquela ocasião, uma ampla investigação foi realizada, incluindo diferentes atores da cadeia de transmissão, como aves domésticas e silvestres, equídeos, mosquitos e o homem (hospedeiro acidental), com ênfase para a região de Picos/PI, na área de foco. Os resultados disponíveis da investigação corroboraram com a hipótese da ampla distribuição da FNO nas Américas e no Brasil, ainda que não tenham sido registrados eventos de maior magnitude envolvendo casos humanos e epizootias de aves e equídeos.

No final do mês de abril/2018, foram registradas epizootias de equídeos com manifestações neurológicas (meningoencefalite), notificadas ao Ministério da Saúde pela Secretaria de Saúde do Estado do Espírito Santo (SES/ES). Durante a investigação, foram obtidas amostras de tecidos, sangue e soro que foram enviadas ao Laboratório de Pesquisa em Virologia Animal (LPVA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em iniciativa de cooperação com a SES/ES. No LPVA/UFMG foi detectado fragmento do genoma viral que, por meio do sequenciamento genético, confirmou o vírus da FNO como causa. As mesmas amostras foram encaminhadas à rede de laboratórios de saúde pública, especificamente para o Instituto Evandro Chagas, laboratório de referência nacional para arbovírus e centro colaborador da OMS, onde foi reproduzido o resultado da LPVA/UFMG em parte das amostras. Mais recentemente, nova confirmação da circulação do vírus da FNO no Espirito Santo foi obtida, por meio do isolamento do virus a partir de amostras de sistema nervoso central dos equídeos afetados.

2- RECOMENDAÇÕES GERAIS:

Maiores informações podem ser obtidas nos sites oficiais das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e do Ministério da Saúde (http://portalms.saude.gov.br/); ou por e-mail: gt-arbo@saude.gov.br e/ou notifica@saude.gov.br. Para intensificação da vigilância no âmbito da vigilância em saúde, recomenda-se:

2.1 - VIGILÂNCIA DE CASOS HUMANOS:

A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é considerada um evento de relevância epidemiológica e, portanto, deve ser notificado ao Ministério da Saúde de forma imediata, conforme define e portaria de doenças de notificação compulsória, a Portaria nº 204/GM/MS, de 17 de fevereiro de 2016. O sistema de vigilância epidemiológica da Febre do Nilo Ocidental no Brasil está baseado na notificação e investigação de casos humanos suspeitos, cuja apresentação clínica é compatível com doença infecciosa febril aguda de etiologia viral acompanhada de manifestações neurológicas. A finalidade é detectar a circulação viral e evitar que novos casos ou surtos ocorram.  Para tanto, é importante realizar o diagnóstico diferencial entre as meningoencefalite, encefalites, meningites e paralisias flácidas, sem causa conhecida e de provável etiologia viral. Para efeitos de vigilância epidemiológica, a seguinte definição de caso suspeito deve ser utilizada:

Definição de caso humano de FNO:

Caso Suspeito: “Indivíduo com quadro de doença febril aguda inespecífica, acompanhada de manifestações neurológicas de provável etiologia viral, compatíveis com meningite, encefalite, e paralisia flácida aguda, de etiologia desconhecida.”

Caso confirmado: caso suspeito, acompanhado dos seguintes achados laboratoriais:

  • Detecção do virus do Nilo Ocidental e/ou do genoma viral e/ou do antígeno viral em amostras de tecidos, líquido cefalorraquidiano ou outras secreções orgânicas, e/ou;
  • A detecção de anticorpos da classe IgM específicos para o vírus do Nilo Ocidental; e confirmação pelo teste de Neutralização por Redução de Placas − PRNT), e/ou;
  • Detecção da soroconversão, por meio da elevação dos títulos de anticorpos inibidores da hemaglutinação em amostras pareadas de soro e/ou de líquido cefalorraquidiano (LCR), das fases aguda e convalescente, com intervalo de 14 a 21; com confirmação pelo teste de Neutralização por Redução de Placas − PRNT).

Mais informações:

Figura esquemática do fluxo de notificação e investigação de casos humanos suspeitos de FNO no Brasil, 2018.

Além da vigilância em humanos, a vigilância animal com base em eventos que envolvam epizootias de equídeos com manifestações neurológicas e/ou de aves silvestres se apresentam como ferramentas alternativas para vigilância e detecção precoce da circulação viral, preferencialmente antes que casos humanos sejam registrados. Assim, recomenda-se alertar a rede de vigilância ambiental e de zoonoses para as seguintes ações de vigilância e investigação voltada para a população animal:

2.2 - VIGILÂNCIA DE HOSPEDEIROS E RESERVATÓRIOS

As ações para a vigilância de hospedeiros e reservatórios consistem em intensificar a vigilância dos eventos considerados de relevância epidemiológica, sobretudo os eventos que envolvam epizootias (adoecimento ou morte) de equídeos com manifestações neurológicas e/ou de aves silvestres, ainda que outros animais possam ser afetados pelo vírus da FNO (vFNO).

Considera-se que todo evento deve ser notificado e investigado no âmbito do Ministério da Saúde, por meio das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, ainda que parte dos mesmos eventos sejam objeto de notificação e investigação dos Ministérios da Agricultura (MAPA) e do Meio Ambiente (MMA). Atualmente, ambos os Ministérios (MMA e MAPA) estão acompanhando e atuando em conjunto com o Ministério da Saúde durante todas as etapas da investigação. Pretende-se atuar com base em planos de ação colaborativos e integrados, favorecendo uma resposta articulada, ampla e coordenada.

Todas as instituições dos diferentes setores e esferas da administração pública (federal, estadual e municipal) estão empenhadas em suas funções, visando identificar os animais e as áreas de ocorrência para mitigar os efeitos da transmissão nas populações humana e animal. A busca de áreas com transmissão visa identificar a população sob risco, a fim de priorizar a tomada de decisão quanto à adoção das principais medidas de prevenção e controle.

2.2.1 Vigilância de Epizootia em equídeos com manifestações neurológicas:

Epizootias de equídeos com sintomatologia neurológica são eventos considerados de relevância epidemiológica e, portanto, devem ser notificados imediatamente ao Ministério da Saúde, conforme define a Portaria GM/MS nº 782, de 15 de março de 2017, por meio das Secretarias Municipais de Saúde. Recomenda-se integrar a vigilância da FNO com a vigilância da raiva, devido à semelhança clínica entre estas doenças. Em caso de morte de cavalos com quadro clínico neurológico, o material coletado deve ser encaminhado para o diagnóstico da FNO, preferencialmente incluindo diagnostico diferencial das encefalites equinas (do Leste, do Oeste e Venezuelana) e, principalmente, da raiva. Mais informações:

Figura esquemática do fluxo de notificação e investigação de Epizootias de equídeos suspeitos de FNO no Brasil, 2018.

2.2.2   Vigilância de Epizootias em aves silvestres:

A mortandade de aves silvestres sem etiologia conhecida é considerada um evento de relevância epidemiológica pois pode alertar para o risco de transmissão da Febre do Nilo Ocidental, tendo em vista que esses animais são os principais hospedeiros deste vírus. Algumas espécies infectadas apresentam manifestações clínicas graves que podem levar ao óbito. Dessa forma, epizootias (adoecimento ou morte) de aves silvestres são eventos que devem ser notificados e investigados, conforme define a Portaria GM/MS n°782 de março de 2017, e que também detalha os procedimentos com relação à coleta, armazenamento e transporte de amostras. A implantação de pontos sentinelas de vigilância de aves mortas em zoológicos, parques e praças pode contribuir para a identificação da circulação do vírus em níveis locais e regionais. Mais informações:

Figura esquemática do fluxo de notificação e investigação de Epizootias de aves silvestres suspeitos de FNO no Brasil, 2018.

2.3 - VIGILÂNCIA ENTOMOLÓGICA E CONTROLE VETORIAL

Considerando a raridade de registros envolvendo a transmissão da febre do Nilo Ocidental na América do Sul, incluindo a ausência de registros das espécies de vetores envolvidas na transmissão, acredita-se que o mosquito Culex quinquefasciatus, amplamente distribuído pelo Brasil, tenha potencial para se configurar como o vetor mais importante no país, dadas as características de transmissão observadas nos demais países das Américas onde o vírus emergiu nas últimas décadas.

Visando instrumentalizar os serviços de saúde para vigilância e mitigação de eventuais processos de transmissão, o Ministério da Saúde disponibiliza o Guia de Vigilância do Culex quinquefasciatus, disponível em:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_culex_quinquefasciatus.pdf

O Guia apresenta as recomendações para vigilância e o manejo/controle integrado do mosquito, com o intuito de subsidiar os profissionais de saúde pública que atuam na vigilância entomológica e no controle vetorial, a fim de reduzir o risco da transmissão para humanos e/ou mitigar os efeitos da transmissão em situações de epizootias e surtos. Adicionalmente, o levantamento da fauna entomológica e a vigilância sistemática de potenciais vetores podem ser considerados recursos importantes para o mapeamento preventivo das áreas receptivas à transmissão e, portanto, de maior risco à população, considerando a diversidade de espécies de potenciais vetores do vFNO no Brasil. Mais informações:

Figura esquemática da vigilância entomológica e o controle vetorial para a FNO no Brasil, 2018.

2.4 NOTIFICAÇÃO

De acordo com a Portaria nº 204/GM/MS, de 17 de fevereiro de 2016, todos os casos humanos suspeitos de Febre do Nilo Ocidental devem ser notificados ao Ministério da Saúde de modo imediato, em até 24 horas após a suspeita inicial. Desse modo, tanto os casos humanos suspeitos como as epizootias de aves e equídeos devem ser informados às autoridades sanitárias, uma vez que um caso pode sinalizar o início de um surto, requerendo medidas imediatas de controle e prevenção. À medida que novas informações estiverem disponíveis, novas recomendações e orientações serão amplamente divulgadas.

3.  CONCLUSÕES, INFORMAÇÕES E ORIENTAÇÕES ADICIONAIS:

Orientações específicas ou informações adicionais podem ser obtidas com o Grupo Técnico de Vigilância das Arboviroses (GT Arboviroses) do Ministério da Saúde   disponível pelo e-mail: gt-arbo@saude.gov.br e/ou pelos telefones: +55 (61) 3315-3081/3166.

Como o vírus da FNO também afeta equídeos e aves silvestres, o Ministério da Saúde  mantém contato permanente com o MAPA assim como com o MMA por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), atuante na conservação de aves silvestres, unidade descentralizada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Toda atuação está baseada em uma ação colaborativa intersetorial, para que um plano de investigação e estruturação da vigilância integrada seja estabelecido. Atualmente, todas as instituições públicas ligadas à Saúde, Agropecuária e Meio Ambiente (conservação), de todos as esferas de gestão (Federal, Estadual e Municipal), estão empenhadas em desprender esforços para uma atuação integrada e colaborativa, integrados com seus pares institucionais e interinstitucionais.

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