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Hipertensão: sintomas, transmissão e prevenção

Paracoccidioidomicose

Escrito por Alessandra Bernardes | | Publicado: Sexta, 16 de Agosto de 2019, 15h46 | Última atualização em Sexta, 16 de Agosto de 2019, 16h12

O que é Paracoccidioidomicose?

A Paracoccidioidomicose (PCM) é a principal micose sistêmica no Brasil. Essa doença representa uma das dez principais causas de morte por doenças infecciosas e parasitárias, crônicas e recorrentes.

O que causa a Paracoccidioidomicose?

A Paracoccidioidomicose é causada por fungo termodimórfico, do gênero Paracoccidioides spp., com destaque a duas espécies patogênicas: Paracoccidioides brasiliensis (P. brasiliensis) e Paracoccidioides lutzii (P. lutzii). Esses fungos estão dispersos no meio ambiente.

Como ocorre a transmissão da Paracoccidioidomicose?

A exposição ao fungo está relacionada com o manejo do solo contaminado, como, por exemplo, atividades agrícolas, terraplenagem, preparo de solo, práticas de jardinagens, transporte de produtos vegetais, entre outras. A maioria dos indivíduos que adoeceram com a PCM apresenta história de atividade agrícola exercida nas duas primeiras décadas de vida. Hábitos de vida como, tabagismo e etilismo, também são considerados fatores de risco frequentemente associados à micose, e ao agravamento do seu quadro clínico.

Não existe transmissão inter-humana do fungo Paracoccidioides spp., nem de animais ao homem. No entanto, os indivíduos estão expostos ao risco por inalação de propágulos infectantes, dispersos no solo. A principal porta de entrada do fungo no organismo é por via inalatória. Os órgãos comumente afetados são os pulmões (50-100%), seguidos da pele, mucosas, linfonodos, adrenais, sistema nervoso central, fígado e ossos.

Quais os sintomas da Paracoccidioidomicose?

As principais formas clínicas da doença são:

  • Forma aguda ou subaguda (tipo juvenil): A progressão das lesões primárias evolui rapidamente, de semanas a meses. Esta forma clínica é considerada grave, devido a elevadas taxas de letalidade em crianças e adolescentes. Os sinais podem manifestar com hipertrofia do sistema retículo endotelial e acometimento generalizado de linfonodos, que geralmente fistulizam (simplificar o termo). O fungo pode disseminar para outros órgãos ou sistemas como pele, ossos, sistema gastrintestinal, além do fígado, baço e medula óssea.
  • Forma crônica (tipo do adulto): responsável pela maioria dos casos de PCM, com prevalência de 74 a 96%. Os indivíduos entre 30 e 60 anos de idade e do sexo masculino são os mais acometidos por essa doença. Esta forma clínica manifesta-se mais lenta, com duração da sintomatologia entre quatro a seis meses, inclusive acima de 1 ano. O comprometimento pulmonar está presente em 90% dos indivíduos. Os pulmões, a mucosa das vias aerodigestivas superiores e a pele são os locais mais acometidos pela PCM; e
  • Forma residual: também chamada “sequelas”, manifesta-se clinicamente com alterações anatômicas e funcionais causadas pelas cicatrizes que se seguem ao tratamento da PCM. As sequelas podem ser observadas em vários órgãos, com maior frequência nos pulmões, pele, laringe, traqueia, glândulas adrenais, mucosa das vias aerodigestivas superiores, sistema nervoso central e sistema linfático.

Como é feito o diagnóstico da Paracoccidioidomicose?

O diagnóstico é clínico e laboratorial. A confirmação laboratorial é feita pelo achado do fungo em materiais clínicos (secreções e tecidos), em forma de levedura com ou sem gemulação e cultura específica. A sorologia e a histopatologia também são considerados na confirmação diagnóstica da PCM. Exames complementares, como hemograma, provas bioquímicas e exames de imagem podem auxiliar o diagnóstico.

Como diagnóstico diferencial, cita-se a investigação laboratorial para tuberculose, hanseníase, leishmaniose tegumentar, sarcoidose, neoplasias (linfomas e Ca de laringe) e com outras micoses sistêmicas, como a histoplasmose, a criptococose e a coccidioidomicose.

Como é feito o tratamento da Paracoccidioidomicose?

A escolha terapêutica dependerá da forma clínica em que o indivíduo se apresenta na unidade de saúde e da disponibilidade do medicamento.

Formas leves e moderadas:

1ª escolha – Itraconazol na dose de 200 mg/dia, em única tomada para adultos, e para crianças > de 5 anos- 5 a 10 mg/kg/dia. Duração: 6 a 9 meses nas formas leves e 12 a 18 meses nas moderadas.

2ª escolha- Sulfametoxazol + trimetoprim. Adultos – dose sulfametoxaol 800mg a 1200mg e trimetoprim 160mg a 240mg, de 12/12 horas,VO. Crianças - sulfametoxazol, 40 a 50mg/kg, de 12/12 horas, VO. Duração – 12 meses nas formas leves e de 18 a 24 meses nas formas moderadas.

Formas graves:

Anfotericina B, na dose de 1 mg/kg/dia (máximo 50 mg/dia), dissolvida em soro glicosado a 5%, EV, administrada diariamente ou em dias alternados;

Formulações lipídicas da Anfotericina B – 3 a 5 mg/kg/dia até estabilização clínica do paciente (até 4 semanas) ou Solução endovenosa de Sulfametoxazol 400m +trimetoprim 80 mg – 2 ampolas de 8/8 horas, até a melhora clínica do paciente, de maneira a permitir a terapêutica antifúngica oral.

Medicamento

Dose

Duração média

Itraconazol*

200mg diários

**Crianças com <30 kg e >5 anos – 5 a 10mg/kg/dia; ajustar dose sem abrir a cápsula

9-18 meses

Cotrimoxazol*

Trimetoprim, 160mg +

Sulfametoxazol, 800mg (VO 8/8 h ou 12/12h)

Crianças – trimetoprim, 8 a 10mg/kg

Sulfametoxazol, 40 a 50mg/kg, VO 12/12 h

18-24 meses***

Anfotericina B

Desoxicolato, 0,5 a 0,7 mg/kg/dia

Formulações lipídicas, 3 a 5 mg/kg/dia

2-4 semanas**** (até melhora)

* Não usar concomitantemente com astemizol, antiácidos e bloqueadores de receptor H2, barbitúricos, cisapride, ciclosporina, didanosina, digoxina, fentanil, fenitoína, rifampicina, cisaprida e terfenadina.

** Maior experiência em crianças – com sulfametoxazol/trimetoprim.

*** Prolongar a duração do tratamento quando há envolvimento de sistema nervoso central.

**** Requer tratamento de manutenção com itraconazol ou cotrimoxazol.

 O Complexo Lipídico de Anfotericina B e o Itraconazol são medicamentos antifúngicos disponíveis no estoque estratégico do Ministério da Saúde, dispensados pela área técnica de Vigilância e Controle das Micoses Sistêmicas, desde 2008. O atendimento à solicitação desses antifúngicos decorre do preenchimento da ficha de solicitação de medicamentos antifúngicos para tratamento de pacientes com micoses sistêmicas endêmicas, como, por exemplo, a paracoccidioidomicose, além da comprovação da infecção fúngica em atividade (diagnóstico laboratorial recente) e resultado da sorologia Anti-HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana).

O manejo terapêutico da PCM deve obriga­toriamente compreender, além da utilização de drogas antifúngicas, o emprego de medidas que melhorem as condições gerais do paciente, o tratamento de comor­bidades infecciosas ou não, a aplicação de critérios de cura e o acompanhamento pós-terapêutico.

Qual a melhor forma de controlar a Paracoccidioidomicose?

Não há medida de controle disponível. Deve-se tratar os doentes pre­coce e corretamente, visando impedir a evolução da doença e suas complicações. Ainda não existem vacinas para a prevenção da PCM.

Recomenda-se, tanto no ambiente rural como no periurbano, evitar a exposição à poeira originada de escavação do solo, de terraplanagem e de ma­nipulação de vegetais. Para os trabalhadores rurais e motoristas de trator constantemente expostos à poeira mais densa, particularmente os que fazem a coleta manual, limpeza (abano) e varrição do café, é presumível que evitar a exposição com máquinas de cabine bem vedadas ou máscaras protetoras tipo N95 (quando disponível) possa proteger da infecção por Paracoccidioides spp.

Aconselha-se evitar a exposição de crianças e indivíduos imuno­deprimidos a situações de risco em zona rural. Em laboratórios, a manipulação de isolados do fungo, sempre que possível, deve ser feita em capela de segurança, principalmente de cultivos na forma de micélio.

Situação epidemiológica

No Brasil, a maioria dos casos conhecidos ocorre nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Também há relato de ocorrência de casos em áreas de colonização mais recente, submetidas ao desmatamento, como na região da Amazônia, atingindo os Estados do Maranhão, Tocantins, Pará, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas, onde a PCM pode ser considerada uma micose sistêmica emergente.

As micoses sistêmicas não integram a lista nacional de doenças de notificação compulsória no Brasil. Elas também não são objeto de vigilância epidemiológica, de rotina, com exceção de estados brasileiros que instituíram essa notificação de iniciativa do seu âmbito de gestão. Por isso, não existem dados epidemiológicos da ocorrência, magnitude e transcendência da paracoccidioidomicose em nível nacional.

No plano estratégico 2018, o Ministério da Saúde iniciou a estruturação do sistema de vigilância e controle das micoses sistêmicas, incluída a paracoccidioidomicose. Com a estruturação do sistema de vigilância dessa micose, espera-se acompanhar a tendência temporal da doença, conhecer o perfil epidemiológico e seus determinantes sociais, bem como definir as medidas de controle na contenção da sua magnitude e vulnerabilidade no país.

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