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Tétano Acidental: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Tétano Acidental: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Sexta, 16 de Agosto de 2019, 14h04 | Última atualização em Sexta, 27 de Setembro de 2019, 11h43

O que é Tétano Acidental?

Tétano acidental é uma infecção causada por bactéria encontrada na natureza e não é contagiosa. A principal forma de prevenção é por meio da vacina pentavalente.

A bactéria causadora do tétano acidental pode ser encontrada na pele, fezes, terra, galhos, plantas baixas, água suja, poeira.

Se o tétano acidental infeccionar e não for tratado corretamente, pode matar. As chances de morrer dependem da idade, tipo de ferimento, além da presença de outros problemas de saúde, como complicações respiratórias, renais e infecciosas.

IMPORTANTE: O tétano acidental pode atingir qualquer pessoa, de qualquer sexo e idade e em qualquer lugar do mundo. A imunidade permanente acontece por meio da vacinação.

Quais são os sinais e sintomas do Tétano Acidental?

A tétano acidental caracteriza-se pelos seguintes sinais e sintomas:

  • contraturas musculares;

  • rigidez de membros (braços e pernas);

  • rigidez abdominal;

  • dificuldade de abrir a boca;

  • dores nas costas e nos membros (braços e pernas).

Como o Tétano Acidental é transmitido?

O tétano acidental não é uma doença transmitida de pessoa a pessoa. A transmissão ocorre, geralmente, pela contaminação de um ferimento da pele ou mucosa.

O período de incubação (tempo que os sintomas levam para aparecer desde a infecção) é curto: em média de 5 a 15 dias, mas pode variar de 3 a 21 dias.

IMPORTANTE: Nos casos em que o período de incubação é menor que 7 dias, o prognóstico é pior. Quanto menor for o tempo de incubação, maior a gravidade e pior o prognóstico.

Como é feito o diagnóstico do Tétano Acidental?

O diagnóstico do tétano é clínico, ou seja, não depende de confirmação laboratorial. Os exames laboratoriais auxiliam apenas no controle das complicações e tratamento do paciente. O hemograma habitualmente é normal, exceto quando há alguma outra infecção.

As radiografias de tórax e da coluna vertebral devem ser realizadas para o diagnóstico de infecções pulmonares e fraturas de vértebras. Hemoculturas, culturas de secreções e de urina são indicadas apenas nos casos de outra infecção.

Diagnóstico diferencial

Em relação às formas generalizadas do tétano, que podem apresentar sintomas parecidos com os de outras doenças, incluem-se os seguintes diagnósticos diferenciais:

  • Intoxicação pela estricnina – há ausência de Trismo e de hipertonia generalizada, durante os intervalos dos espasmos.

  • Meningites – há febre alta desde o início, ausência de Trismo, presença dos sinais de Kerning e Brudzinsky, cefaleia e vômito.

  • Tetania – os espasmos são, principalmente, nas extremidades, sinais de Trousseau e Chvostek presentes, hipocalcemia e relaxamento muscular entre os paroxismos.

  • Raiva – história de mordedura, arranhadura ou lambedura por animais, convulsão, ausência de trismos, hipersensibilidade cutânea e alterações de comportamento.

  • Histeria – ausência de ferimentos e de espasmos intensos. Quando o paciente se distrai, desaparecem os sintomas.

  • Intoxicação pela metoclopramida e intoxicação por neurolépticos – podem levar ao trismo e hipertonia muscular.

  • Processos inflamatórios da boca e da faringe, acompanhados de trismo – dentre as principais entidades que podem causar o trismo, citam-se: abscesso dentário, periostite alvéolo-dentária, erupção viciosa do dente  siso,  fratura e/ou osteomielite de mandíbula, abscesso amigdalino e/ou retro faríngeo.

  • Doença do soro – pode cursar com trismo, que é decorrente da artrite têmporo-mandibular, que se instala após uso de soro heterólogo. Ficam evidenciadas lesões maculopapulares cutâneas, hipertrofia ganglionar, comprometimento renal e outras artrites.

Como é feito o tratamento do Tétano Acidental?

Sempre que houver lesão da pele/mucosa, a pessoa deve lavar o local com água e sabão e procurar o serviço de saúde mais próximo para avaliar a necessidade de utilização de vacina ou soro. Se apresentar um dos sinais e sintomas característicos do tétano, após lesão na pele/mucosas, procure com urgência a unidade ou equipe de saúde mais próxima. Lembre-se de explicar ao médico como ocorreu e o que causou a lesão.

O doente deve ser internado em unidade assistencial apropriada, preferencialmente em unidade de terapia intensiva (UTI) onde existe suporte técnico necessário ao seu manejo e suas complicações, com consequente redução das sequelas e e risco de morte.

Na indisponibilidade de leitos de UTI ou unidades semi-intensivas, a internação deve ocorrer em unidade assistencial, em quarto individual com o mínimo de barulho, de luminosidade e com temperatura estável e agradável. Casos graves têm indicação de terapia intensiva.

Os princípios básicos do tratamento do tétano são:

  • sedação do paciente;
  • neutralização da toxina tetânica;
  • eliminação do C. tetani do foco da infecção;
  • debridamento do foco infeccioso;
  • medidas gerais de suporte.
Soro antitetânico (SAT) Fechar

O tratamento específico é realizado com a administração do Soro Antitetânco, que visa neutralizar a toxina da bactéria. É preconizado para a prevenção e o tratamento do tétano e sua indicação depende do tipo e das condições do ferimento.  É um produto cada vez mais purificado, em razão do que se considera rara a possibilidade de causar complicações graves, como choque anafilático e a doença do soro. Mesmo assim sua administração só deve ser feita em serviços de saúde preparados para o tratamento de complicações, o que implica a existência de equipamentos de emergência e a presença de um médico.

 

Imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) Fechar

É constituída por imonoglobulinas da classe IgG que neutralizam a toxina produzida pelo Clostridium tetani, sendo obtida do plasma de doadores selecionados (pessoas submetidas a imunização ativa contra o tétano) com alto títulos no soro de anticorpos específicos (antitoxina). A IGHAT está indicada para: indivíduos que apresentaram algum tipo de hipersensibilidade quando da utilização de qualquer soro heterólogo (antitetânico, antirrábico, antidiftérico, antiofídico entre outros), indivíduos imunodeprimidos, recém-nascidos em risco para tétano e recém-nascidos prematuros com lesões potencialmente tetanogênicas. Sua meia-vida é de 21 a 28 dias, em indivíduos sem imunização prévia.

Como prevenir o Tétano Acidental?

O tétano acidental é uma doença prevenível por meio da vacinação. 

Confira o esquema de proteção no  Calendário Nacional de Vacinação.

Acesse nossa página temática especializada em vacinação

Situação epidemiológica do Tétano Acidental

Entre os anos de 2013 a 2018 foram registrados 1.512 casos de tétano acidental no país sendo: 214 na Região Norte (14,2%); 444 na Nordeste (29,4%); 355 na Sudeste (23,5%); 315 na Sul (20,8%) e 184 na Região Centro-oeste (12,2%). O coeficiente de incidência apresentou uma variação de 0,14 em 2013 para 0,10 por 100.000 habitantes em 2018. No mesmo período, 70% dos casos concentram-se no grupo com faixa etária de 30 a 69 anos de idade. A maioria dos casos de tétano acidental ocorreu nas categorias de aposentado-pensionistas, trabalhador agropecuário, seguidas pelos grupos de trabalhador da construção civil (pedreiro), estudantes e donas de casa. Outra característica da situação epidemiológica do tétano acidental no Brasil é que, a partir da década de 90, observa-se aumento da ocorrência de casos na zona urbana. Esta modificação pode ser atribuída ao êxodo rural. A letalidade mantém-se acima de 30%, sendo mais representativa nos idosos.

Em 2016, 2017 e 2018, foram confirmados 243, 230 e 199 casos em todo território nacional. A letalidade, nesse mesmo período, foi de 33%, 31% e 39% respectivamente, sendo considerada elevada, quando comparada com os países desenvolvidos, onde se apresenta entre 10 a 17%.

>> Tabela de casos de Tétano Acidental. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1990 a 2018*

>> Tabela de óbitos de Tétano Acidental. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1998 a 2018*

>> Gráfico Série Histórica. Brasil, 1990 a 2018*

Publicações sobre o Tétano Acidental

>> Boletim epidemiológico - Vol. 49 Nº 25, 2018: Situação epidemiológica do tétano acidental, Brasil, 2007 a 2016

>> Guia de Vigilância em Saúde – Volume único – 3ª edição atualizada (SVS/MS)

>> Informe epidemiológico de Tétano Acidental. Brasil, 2015

>> Folder - Tétano Acidental

>> Cartilha de Alerta de Chuvas Intensas

>> Cartilha - Saiba como agir em caso de enchentes

>> Guia de bolso 8ª Edição - Doenças Infecciosas e Parasitárias

Viajantes e o Tétano Acidental

Em situação de viagem para local onde a vacina contra o tétano não esteja disponível ou necessite de prescrição é prudente que todas as pessoas realizem com antecedência seu esquema vacinal. Atenção para a necessidade de reforço, após 10 anos da última dose do esquema completo. Confira o esquema de proteção no Calendário Nacional de Vacinação.

Acesse nossa página temática especializada em Saúde do Viajante

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