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Tétano Neonatal: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Tétano Neonatal: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Sexta, 16 de Agosto de 2019, 14h04 | Última atualização em Sexta, 16 de Agosto de 2019, 16h23

O que é o Tétano Neonatal?

O Tétano neonatal é uma doença infecciosa aguda, grave, não contagiosa, que acomete o recém-nascido (RN), nos primeiros 28 dias de vida, tendo como manifestação clínica inicial a dificuldade de sucção, irritabilidade e choro constante. A doença é causada por uma bactéria chamada Clostridium tetani.

A suscetibilidade do Tétano Neonatal é universal, afetando recém-nascidos de ambos os sexos. A doença não confere imunidade. A imunidade do recém-nascido é conferida pela vacinação adequada da mãe. Os filhos de mães vacinadas nos últimos cinco anos com três doses da vacina apresentam imunidade passiva e transitória até dois meses de vida.

A imunidade passiva, por meio do soro antitetânico (SAT), dura em média duas semanas e pela imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) cerca de três semanas.

IMPORTANTE:  O tétano neonatal acomete os filhos de mãe sem esquema vaicnal completo e atualizado.

Como o Tétano Neonatal é transmitido?

O tétano neonatal não é transmitido de pessoa a pessoa e sim pela contaminação do coto umbilical com os esporos da bactéria, que podem estar presentes em instrumentos não esterilizados e utilizados para secção do cordão umbilical, como tesoura e fios para laqueadura do cordão.

Os esporos da bactéria também podem estar presentes em produtos do hábito cultural das populações, utilizados no curativo umbilical, como ervas, chás, pós e pomadas, entre outros.

Quais são os fatores de risco do Tétano Neonatal?

São fatores de risco para o tétano neonatal as seguintes situações:

  • Baixas coberturas da vacina antitetânica em mulheres em idade fértil.
  • Partos domiciliares assistidos por parteiras tradicionais ou outros sem capacitação e sem instrumentos de trabalho adequados.
  • Oferta inadequada de pré-natal em áreas de difícil acesso.
  • Baixa qualificação do pré-natal.
  • Alta hospitalar precoce e deficiente acompanhamento do recém-nascido e da puérpera.
  • Hábito cultural inadequado, associado ao deficiente cuidado de higiene com o coto umbilical e higiene com o recém-nascido.
  • Baixo nível de escolaridade das mães.
  • Baixo nível socioeconômico.
  • Baixa qualidade da educação em saúde.

Quais são os sintomas do Tétano Neonatal?

O recém-nascido apresenta, em caso de tétano neonatal, os seguintes sinais e sintomas:

  • choro excessivo;
  • dificuldade para mamar e abrir a boca;
  • irritabilidade;
  • quando há presença de febre, ela é baixa;
  • contraturas musculares ao manuseio ou espontâneas.
IMPORTANTE: O fato de não existir infecção no coto umbilical, não afasta a confirmação do tétano neonatal.

Como é feito o diagnóstico do Tétano Neonatal?

O diagnóstico do tétano neonatal é essencialmente clínico e não existe exame laboratorial específico para confirmação do diagnóstico. Exames laboratoriais são realizados apenas para controle das complicações e respectivas orientações do tratamento.

Diagnóstico Diferencial do Tétano Neonatal

Septicemia – na sepse do RN pode haver hipertonia muscular, porém o estado geral é grave e cursa com hipertermia ou hipotermia, alterações do sensório e evidências do foco séptico (diarreia, onfalite, etc.). O trismo não é frequente nem ocorrem os paroxismos espásticos.

Encefalopatias – podem cursar com hipertonia e o quadro clínico geralmente é evidente logo após o nascimento havendo alterações do sensório e crises convulsivas. O trismo não é uma manifestação frequente.

Distúrbios metabólicos – hipoglicemia, hipocalcemia e alcalose.

Outros diagnósticos diferenciais – principalmente, epilepsia, lesão intracraniana por traumatismo do parto, peritonites, onfalites e meningites.

 Conheça nossa página temática especializada em Tétano Acidental

Como é feito o tratamento do Tétano Neonatal?

O tratamento do tétano neonatal deve ser sempre em ambiente hospitalar. O paciente deve ser internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou em enfermaria apropriada, acompanhado por uma equipe médica e de enfermagem experiente e treinada na assistência dessa enfermidade, o que pode reduzir as complicações e a letalidade. É necessário a administração de imunoglobulina humana antitetânica ou soro antitetânico, antibiótico, sedativos e outras medidas de suporte que o caso exigir.

Com base na literatura, recomendam-se os princípios básicos do tratamento do tétano neonatal ressaltando que a adoção destas medidas terapêuticas é da responsabilidade médica, tendo o intuito de curar o paciente, diminuir a morbidade e a letalidade causada pela doença. Dessa forma, o tratamento consiste em:

  • Sedação do paciente antes de qualquer procedimento (sedativos e miorrelaxantes de ação central ou periférica).
  • Adoção de medidas gerais que incluem manutenção de vias aéreas permeáveis (entubar para facilitar a aspiração de secreções), hidratação, redução de qualquer tipo de estímulo externo, alimentação por sonda e analgésicos.
  • Utilização de IGHAT ou, em caso de indisponibilidade, administração do SAT.
  • Antibioticoterapia: os fármacos de escolha são a penicilina G cristalina ou metronidazol. Não há evidências suficientes que sustentem a superioridade de uma droga em relação à outra, embora alguns dados mostrem maior benefício com o uso do metronidazol.
IMPORTANTE: Outros sedativos e anticonvulsivantes (curare, hidrato de cloral a 10%, fenobarbital) poderão ser utilizados a critério médico.

Atendimento durante o parto e puerpério

O atendimento higiênico ao parto é medida fundamental na profilaxia do tétano neonatal. O material utilizado, incluindo instrumentos cortantes, fios e outros, deve ser estéril para o cuidado do cordão umbilical e do coto. As mães e os responsáveis devem ser orientados em todas as oportunidades sobe os cuidados com os recém-nascidos e o tratamento higiênico do coto umbilical com álcool a 70%. A consulta do puerpério é de extrema importância para orientações e detecções de práticas que predispõem à doença, bem como para a atualização do calendário vacinal tanto da mãe como da criança.

Como prevenir o Tétano Neonatal?

A vacina antitetânica (esquema completo e atualizado) tem uma eficácia de quase 100% na prevenção do Tétano Neonatal. Além da vacina, o parto limpo (asséptico), cuidados higiênicos e adequados com o coto umbilical são fundamentais na prevenção da doença.

Pré-Natal

A realização do pré-natal é extremamente importante para prevenir o tétano neonatal.

Confira o esquema de proteção no  Calendário Nacional de Vacinação

Situação epidemiológica Tétano Neonatal

Com a implementação de uma política de eliminação do tétano neonatal como problema de saúde pública, em 1989 a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou resolução propondo a eliminação do Tétano Neonatal (TNN) em todo o mundo até o ano de 1995, onde a meta mínima de eliminação seria equivalente a alcançar uma taxa de incidência de menos de um caso/1.000 nascidos (NV), por distrito ou município, internamente por cada país. Em 1992 com a implantação do Plano de Eliminação do Tétano Neonatal (PETNN), a incidência da doença reduziu sensivelmente ao longo dos anos. O PETNN também foi implantado no Brasil em 1992 e em 1995, o Plano Emergencial para os municípios de alto risco. Com a implementação das ações contidas no (PETNN), o número de casos de TNN passou de 215, em 1993, para 16 casos em 2003 representando uma redução de 92%. Segundo dados registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no período de 2007 a 2017 foram confirmados 35 casos de TNN sendo: 15 casos na Região Norte (43%), 12 casos na Região Nordeste (34%), 04 casos na Região Sudeste (11%), 03 casos na Região Sul (9%) e 01 caso na Região Centro-oeste (3%).  Em 2007 foram registrados 5 casos e em 2016 apenas 1 caso. Em 2015 e 2017 não foram registrados casos de tétano neonatal no país. 

Em setembro de 2017 a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS) declarou eliminado o tétano materno e neonatal (TMN) nas Américas. O recente progresso na eliminação global levou à eliminação do TMN em 43 países, inclusive o Haiti.. O tétano materno e neonatal é a sexta doença eliminada nas Américas por conta da vacinação. No mundo, há 16 países que ainda não eliminaram a doença.  A vacinação, aliada aos cuidados de higiene durante o parto e o pós-parto, foi fundamental para a região alcançar esse objetivo. O Brasil eliminou o TMN enquanto problema de saúde pública em 2003. Os principais fatores que colaboraram para a redução de casos no país e consequentemente a sua eliminação foi à adoção de medidas de prevenção, como: realização do pré-natal, atendimento adequado durante o parto e o puerpério e vacinação de todas as mulheres em idade fértil.

>> Tabela de casos do Tétano Neonatal. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1990 a 2018*
>> Tabela de óbitos de Tétano Neonatal. Brasil, Grandes Regiões e Unidades Federadas. 1998 a 2018*
>> Gráfico série Histórica. Brasil 1982 a 2018*

Publicações sobre o Tétano Neonatal

>> Guia de Vigilância em Saúde – Volume único – 3ª edição atualizada (SVS/MS)
>> Informe Epidemiológico do Tétano Neonatal. Brasil, 2007 a 2017.
>> NOTA INFORMATIVA Nº 17/2018-CGLAB/DEVIT/SVS/MS

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