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Indígenas do Kwarup recebem assistência da SESAI

Escrito por Gustavo Frasão | | Publicado: Terça, 04 de Setembro de 2018, 14h17 | Última atualização em Quinta, 06 de Setembro de 2018, 10h28

Para garantir o melhor atendimento, o estoque de medicamentos foi reforçado e uma equipe de saúde acompanhou todo o evento

Crédito das fotos: Luís Oliveira / SESAI-MS

A festa do Kwarup – uma das tradições mais importantes para os índios do Parque do Xingu –, realizada nos dias 25 e 26 de agosto, teve este ano a participação de cerca de três mil indígenas das etnias Kuikuro, Yawalapiti, kamaiurá, Waura e Mehinako. A festa ocorreu na aldeia Kuikuro, município de Gaúcha do Norte (MT), território do Distrito Sanitário Especial Indígena Xingu (DSEI Xingu). Como em todos os anos, o Kwarup contou com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) na assistência à saúde dos participantes.

O ritual é uma cerimônia de despedida concedida a grandes líderes, guerreiros ou descendentes de linhagem nobre que morreram. Conta a mitologia indígena que essa cerimônia surgiu quando Tãugi – o criador – andava sobre a Terra e ensinou a seus filhos essa tradição, reservada apenas aos descendentes de Tãugi.

A homenagem do Kwarup em 2018 foi para a senhora Ahuseti Yawalapiti – filha do Waranako Yawalapiti –, da aldeia Kuikuro, falecida no ano passado. É a família do homenageado que organiza a festa e fica responsável pelo convite às aldeias, além de estruturar acampamento e providenciar alimentação para os convidados.

Libertação da alma

Os homenageados são representados por uma tora de madeira – o Kwarup – pintada e enfeitada pelas famílias. O Kwarup é fincado no chão e uma pequena fogueira é acesa diante dele. É onde os índios choram, cantam, dançam e lutam ao som dos maracás. No final, a tora é lançada ao rio, para simbolizar a libertação da alma de quem partiu e marcar o fim do período de luto da família.

No Kwarup, anfitriões e convidados promovem um ritual de lutas denominado huka-huka – terminologia kamaiurá. É quando os gritos dos lutadores lembram o rugido de uma onça. Os anfitriões enfrentam uma aldeia convidada de cada vez, começando por lutas individuais de campeões reconhecidos, seguidas por lutas simultâneas de vários pares de rivais até o enfrentamento dos muito jovens.

Assistência SESAI 

A aldeia Kuikuru tem um ponto de apoio do Polo Base Leonardo, do DSEI Xingu. Durante toda a semana de preparação do Kwarup e nos dias da cerimônia, a Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI) realizou 343 atendimentos, sendo que o caso mais grave foi uma suspeita de fratura de clavícula.

A SESAI reforçou o estoque de medicamentos básicos no ponto de apoio da aldeia Kuikuru e o DSEI Xingu escalou duas enfermeiras, uma técnica em enfermagem e um médico para prestar assistência à festa durante todo o período de preparação até a cerimônia final.

Para atender as aldeias, a enfermeira Karla Gomes, que prestou atendimento durante todos os dias do Kwarup, utiliza bicicleta como meio de transporte para agilizar o deslocamento e dar mais agilidade à assistência aos índios. Karla falou da sua experiência como colaboradora da SESAI: “Todos os dias aprendemos muito com os indígenas e eles também aprendem com a gente. Sempre trabalhamos em equipe, pois tudo é muito difícil: locomoção, ambiente, a língua para se comunicar”. E sobre a bicicleta, ela contou que não é dela, “peguei emprestada para facilitar o trabalho”.

 Acesse mais fotos no nosso Flickr - https://www.flickr.com/photos/sesai/albums/72157699177852511

Comunicação / SESAI - DSEI Xingu
Atendimento à imprensa: (61) 3315.3580

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