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Acidentes por animais peçonhentos

Informações Técnicas

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Quarta, 02 de Julho de 2014, 11h33 | Última atualização em Terça, 01 de Dezembro de 2015, 15h31

Aspectos clínicos

Nos indivíduos vítimas de múltiplas picadas de abelhas (acima de 100 picadas), observam-se hemólise intravascular, insuficiência respiratória, insuficiência hepática, rabdomiólise (acompanhada de mioglobinemia e mioglobinúria), insuficiência renal, hipertensão arterial, lesão miocárdica e alterações da coagulação sanguínea.

Geralmente, o quadro de envenenamento se inicia poucos minutos após as picadas, embora haja registro na literatura de um paciente que só apresentou os primeiros sintomas de envenenamento após 18 horas de ter sofrido mais de 100 picadas de abelhas.

Classicamente, as manifestações clínicas decorrentes de picadas por himenópteros são classificadas em reações tóxicas, atribuídas à ação farmacológica dos componentes do veneno, e em reações alérgicas, nas quais mecanismos alérgicos de hipersensibilidade estão envolvidos.

As reações tóxicas podem ser divididas em locais e sistêmicas. As reações tóxicas locais, também chamadas de reações habituais, se caracterizam pela presença de dor, eritema e edema, não muito intensos, que surgem no sítio da picada, e persistem por algumas horas. Já as reações tóxicas sistêmicas são decorrentes de múltiplas picadas (em geral acima de 100), podendo ocorrer alterações devidas à toxicidade do veneno, mesmo em indivíduos não previamente sensibilizados. Entretanto, acidentes em crianças com poucas dezenas de picadas podem apresentar toxicidade sistêmica. Estima-se que um acidente com mais de 500 picadas de abelhas seja potencialmente letal pelos efeitos tóxicos do veneno.

As reações alérgicas também são divididas em locais e sistêmicas. As reações alérgicas locais são caracterizadas pela formação de um processo inflamatório acentuado nas áreas contíguas ao sítio da picada, com a formação de edema geralmente maior que 10 cm de diâmetro, que progride por até 48 horas e persiste por alguns dias. Eventualmente, pode ocorrer a formação de uma bolha com conteúdo seroso no sítio da picada. As reações alérgicas sistêmicas, ou anafiláticas, podem ser classificadas em quatro graus, levando-se em consideração a intensidade da sintomatologia.

 

Aspectos laboratoriais

Exame de urina tipo I e hemograma completo podem ser os iniciais nos quadros sistêmicos. A gravidade dos pacientes deverá orientar os exames complementares, como, por exemplo, a determinação dos níveis séricos de enzimas de origem muscular, como a creatinoquinase total (CK), lactato desidrogenase (LDH), aldolases e aminotransferases (ALT e AST) e as dosagens de hemoglobina, haptoglobina sérica e bilirrubinas, nos pacientes com centenas de picadas, nos quais a síndrome de envenenamento grave apresenta manifestações clínicas sugestivas de rabdomiólise e hemólise intravascular.

 

Aspectos ambientais

O habitat das abelhas é bastante diversificado e inclui florestas tropicais, regiões litorâneas, montanhosas, entre outros. Essa grande variedade de clima e vegetação acabou originando diversas subespécies ou raças de abelhas, com diferentes características e adaptadas às diversas condições ambientais.

A variabilidade genética dessas abelhas é muito grande, havendo uma predominância das características das abelhas europeias no Sul do País, enquanto ao Norte predominam as características das abelhas africanas.

 

Outras informações de relevância para o agravo

Não há exames específicos para o diagnóstico. O diagnóstico dos acidentes provocados por abelhas é feito, basicamente, através da história clínica, e a gravidade dos pacientes deverá orientar os exames complementares.

 

NOTA INFORMATIVA - Alerta aos serviços de saúde e de vigilância das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde sobre os riscos de acidentes por animais peçonhentos nos meses de verão.

 

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