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Doação de Leite

Cromoblastomicose: sintomas, causas, prevenção, diagnóstico e tratamento

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Terça, 07 de Julho de 2020, 12h23 | Última atualização em Terça, 07 de Julho de 2020, 12h23

O que é Cromoblastomicose?

A cromoblastomicose é uma micose subcutânea crônica, de distribuição cosmopolita, que surge quando fungos pigmentados ou melanizados, principalmente do gênero Fonsecaea, entram no organismo humano por meio de um trauma ou ferida na pele.

Quais os sintomas da Cromoblastomicose?

A cromoblastomicose se inicia com uma lesão primária no local da inoculação (entrada do fungo). Essa micose é caracterizada pelo desenvolvimento lento de lesões polimórficas como: nódulos, verrugas, tumores, placas e cicatrizes.

Há envolvimento crônico de tecidos cutâneos e subcutâneos associados a formação de tecido fibrótico granulomatoso, purulento e baixa resposta imune protetora. Geralmente essas lesões são extremamente recalcitrantes (difíceis de eliminar) e podem sofrer transformação neoplásica, ou seja, evoluir para um câncer de pele.

As formas clínicas da doença vão depender de fatores, como o estado imunológico do indivíduo e a profundidade da lesão. Membros inferiores são locais frequentemente acometidos pelo fungo, seguidos de membros superiores, região glútea, tronco e face. Entretanto, as lesões foram observadas em outras partes do corpo, como na axila e córnea.

 

Como prevenir a Cromoblastomicose?

A principal medida de prevenção e controle a ser tomada é evitar a exposição direta ao fungo. É importante usar luvas e roupas de mangas longas em atividades que envolvam o manuseio de material proveniente do solo e plantas, bem como o uso de calçados em trabalhos rurais.

Os indivíduos com lesões suspeitas de cromoblastomicose devem procurar atendimento médico, preferencialmente um dermatologista ou infectologista, para investigação, diagnóstico e tratamento.

 

Como ocorre a transmissão Cromoblastomicose?

A transmissão ocorre por meio da contaminação de ferimentos já abertos ou pela inoculação (entrada) do fungo na pele a partir de um trauma com espinhos, farpas de madeira, entre outros, alcançando o tecido cutâneo e subcutâneo. Há relatos de rara transmissão da doença por meio da inalação de esporos e disseminação hematogênica.

Sua ocorrência é predominante na região amazônica, relacionada a atividades laborais. Como o fungo está disperso na natureza, trabalhadores rurais é o principal grupo de risco, visto à sua exposição no meio ambiente.

Quais as causas da Cromoblastomicose?

A cromoblastomicose é causada por fungos filamentosos produtores de melanina, com predominância da infecção pela espécie Fonsecaea pedrosoi. Estes fungos podem apresentar duas formas no seu ciclo de vida: micelial (de filamentos) e levedura (parasitária).

Na forma micelial, o fungo está presente na natureza, como solo rico em material orgânico, árvores e plantas em decomposição. A forma de levedura é a que pode parasitar o homem.

Os indivíduos geralmente adquirem a infecção pela implantação do fungo na pele por meio de um trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas de madeira ou contato com vegetação em decomposição.

 

Como é o tratamento da Cromoblastomicose?

As lesões constituem um desafio terapêutico para médicos e pacientes. Por isso, o tratamento dever ser realizado após a avaliação clínica, com orientação e acompanhamento médico.

Os antifúngicos utilizados para o tratamento da cromoblastomicose são o Itraconazol (associado ou não à 5-flucitosina), Posaconazol, Terbinafina, associados ou não a criocirurgia com nitrogênio líquido ou terapia de calor. As formulações lipídicas (Anfotericina B) também são antifúngicos de escolha para as formas graves, disseminadas.

O Sistema Único de Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, oferece gratuitamente, o Itraconazol e o Complexo Lipídico de Anfotericina B para o tratamento dos pacientes diagnosticados com Cromoblastomicose.

 

Situação epidemiológica

A cromoblastomicose é considerada uma doença negligenciada, de ocorrência nos países tropicais e subtropicais, especialmente nas Américas do Sul e Central. No Brasil, a maioria dos casos da cromoblastomicose se concentra na região amazônica, apesar de os primeiros relatos na literatura ocorrem na região Sudeste, como os estados de São Paulo e Minas Gerais, no século XX.

A doença acomete mais homens que trabalham na zona rural em contato com o solo, plantas, farpas e espinhos contaminados pelo fungo. As lesões da cromoblastomicose no indivíduo se dissemina lentamente, raramente é fatal. Geralmente, apresenta um bom prognóstico, mas pode ser de difícil cura. O efeito estético da doença é um estigma social relevante, podendo afetar as relações sociais do paciente.

As micoses sistêmicas não integram a lista nacional de doenças de notificação compulsória no Brasil. Elas também não são objeto de vigilância epidemiológica, de rotina, com exceção de estados brasileiros que instituíram essa notificação de iniciativa do seu âmbito de gestão. Por isso, não existem dados epidemiológicos da ocorrência, magnitude e transcendência da cromoblastomicose em nível nacional.

No plano estratégico 2018, o Ministério da Saúde iniciou a estruturação do sistema de vigilância e controle das micoses sistêmicas. Com a estruturação do sistema de vigilância, espera-se conhecer o perfil epidemiológico e seus determinantes sociais, bem como definir as medidas de controle na contenção da sua magnitude e vulnerabilidade no país.

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