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Febre do Mayaro

Situação Epidemiológica - Dados

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Quarta, 25 de Novembro de 2015, 17h04 | Última atualização em Terça, 08 de Novembro de 2016, 18h53

O vírus Mayaro foi isolado pela primeira vez em Trinidad, em 1954, e o primeiro surto no Brasil foi descrito em 1955, às margens do rio Guamá, próximo de Belém/PA. Desde então casos esporádicos e surtos localizados têm sido registrados nas Américas, incluindo a região Amazônica do Brasil, principalmente nos estados das regiões Norte e Centro-Oeste, onde é considerado endêmico, embora os registros de casos humanos ou surtos sejam ocasionais. O vírus Mayaro é o causador da Febre do Mayaro, uma virose exantemática que acomete populações humanas que vivem nos Estados da Amazônia, incluindo o Centro Oeste. Causa uma doença que cursa com febre, cefaleia, exantema, mialgias, artralgia e edema articular. É semelhante à Febre do Chikungunya, outra arbovirose emergente que se espalhou pelo mundo.

 

Mais recentemente no Brasil, entre dezembro de 2014 e janeiro de 2016 (semana epidemiológica 01), foram registrados 343 casos humanos suspeitos de doença pelo vírus Mayaro. Os casos suspeitos foram identificados em onze estados distribuídos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com destaque para o estado de Goiás com a maior frequência 183 (53,3%), seguido do Pará com 68 (19,8%) e Tocantins, com 25 (7,2%) casos suspeitos. Entre os casos notificados, 70 (20,4%) foram confirmados, 29 (8,4%) foram descartados e 244 (71,3%) permanecem em investigação, aguardando os resultados laboratoriais (Tabela 1). 

 Estados

 

Casos notificados

Confirmados

Em investigação

Descartados

Total

n

%

n

%

n

%

n

%

Goiás

60

85,7

133

54,5

10

34,4

183

53,3

Pará

1

1,4

56

22,9

11

37,9

68

19,8

Tocantins

9

12,8

16

6,5

0

0,0

25

7,2

Roraima

0

0,0

23

9,4

5

17,2

28

8,1

Mato Grosso

0

0,0

20

8,1

0

0,0

20

5,8

Amazonas

0

0,0

6

2,4

2

6,8

8

2,3

Amapá

0

0,0

6

0,4

1

3,4

7

2,0

Bahia
0
0,0
1
0,4
0
0,0
1
0,3
Minas Gerais
0
0,0
1
0,4
0
0,0
1
0,3

Mato Grosso do Sul

0

0,0

1

0,4

0

0,0

1

0,3

Distrito Federal

0

0,0

1

0,4

0

0,0

1

0,3

Total

70

100,0

244

100,0

29

100,0

343

100,0

Tabela 1. Estados com registro de casos suspeitos de doença pelo vírus Mayaro, Brasil, janeiro de 2016.

 

Quanto aos locais prováveis de infecção (LPI) dos casos confirmados, a maioria 60 (85,7%) foi registrada no estado de Goiás, com LPI distribuídos nos municípios de Professor Jamil (n=12), Rio Quente (n=11); Goiânia (n=10), Bela Vista de Goiás (n=7), Hidrolândia (n=6), Piracanjuba (n=6), Orizona (n=4), Aparecida de Goiânia (n=2), Caiapônia e Caldazinha  com um registro em cada. Outros nove casos (12,8%) foram registrados no Tocantins, sendo três no município de Paraiso do Tocantins, três em Palmas, dois em Itacajá e um em Formoso do Araguaia, além de um único caso confirmado (1,4%) em Belém, no Pará. 

 

 

Figura 1. Municípios com registro de casos humanos confirmados de doença febril aguda pelo vírus Mayaro, Pará, Tocantins e Goiás, Brasil, dezembro de 2014 a junho de 2015.

 

Diante da situação em Goiás, o Ministério da Saúde (MS) em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás e dos Municípios da área afetada, com apoio do Centro de Proteção dos Primatas Brasileiros (ICMBio), Instituto Evandro Chagas (IEC) e o Centro Nacional de Primatas (CENP) conduziram uma investigação preliminar com intuito de entrevistar os casos humanos suspeitos; pesquisar a ocorrência de novos casos; orientar a população das áreas de foco; orientar os serviços e os profissionais de saúde; além de pesquisar a fauna de PNH e outros mamíferos silvestres, acompanhada da captura de potenciais vetores silvestres nas áreas de foco para a pesquisa do ciclo de transmissão e o vírus circulante.

Entre os casos confirmados foi predominante o gênero feminino com 26 casos (56,5%). A média e a mediana de idade foram de 48 anos, variando de 13 a 80 anos. Com base nas informações recolhidas durante a investigação preliminar, concluiu-se que todos os casos confirmados eram moradores de área rural ou estiveram expostos possivelmente durante atividades de trabalho ou lazer em área rural, silvestre ou de mata em período menor de 15 dias, antes do início dos sintomas.

Os sinais e sintomas mais frequentemente registrados foram: febre e artralgia (100%), edema articular (92,9%), cefaleia e mialgia (89,3%), exantema (60,7%), dor ocular (50,0%), prostração (46,4%) além de outros menos frequentes registrados como: erupções cutâneas e icterícia (10,7%) e congestão ocular e fotofobia (3,6%), conforme figura 2.

 

Figura 2. Sinais e sintomas dos casos de doença febril aguda pelo vírus Mayaro, Brasil, junho de 2015.

 

Os resultados da investigação preliminar indicaram que outros arbovírus, além da dengue, ocorrem em diversas regiões e podem ser diagnosticados adequadamente na rede de laboratórios de saúde pública. Para tanto, é essencial investigar os casos suspeitos, observando o histórico de exposição recente, além do cenário epidemiológico atual e os LPIs, visando direcionar os exames laboratoriais prioritários para as hipóteses mais prováveis, visto que a apresentação clínica entre as arboviroses é praticamente indistinguível.

Essa ação de saúde pública tem sua importância justificada por buscar informações confiáveis para monitorar a transmissão; orientar a populações e serviços de saúde visando compreender a verdadeira importância de outras arboviroses na etiologia de surtos de doenças febris agudas, além de entender a magnitude de doença por Mayaro e outros arbovirus.

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