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Malária: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Situação Epidemiológica

Escrito por Tatiana Teles | | Publicado: Terça, 14 de Novembro de 2017, 17h59 | Última atualização em Segunda, 30 de Abril de 2018, 11h48

Raiva Humana

Com a intensificação das ações de vigilância e controle da raiva canina e felina nos últimos 30 anos, o Brasil alcançou significativa redução nas taxas de mortalidade por raiva humana, com o predomínio de casos em caráter esporádicos e acidentais (Figura 1).

Figura 1 - Taxa de mortalidade de raiva humana por tipo de animal agressor (1986 – 2017).

taxa de mortalidade de raiva humana por tipo de animal agressorFonte: SVS/MS. Atualizado em 16/03/2018

No período de 2010 a 2017, foram registrados 25 casos de raiva humana, sendo que em 2014, não houveram casos (Tabela 1).

Desses casos, nove tiveram o cão como animal agressor, oito por morcegos, quatro por primatas não humanos, três por felinos e em um deles não foi possível identificar o animal agressor. (Tabela 2)

Em 2015, os dois casos de raiva humana no Brasil, ocorreram na Paraíba, transmitido por gato, identificação variante de morcego, e o outro no Mato Grosso do Sul, pela variante 1, típica de cães. Esse caso no Mato Grosso do Sul, ocorreu em razão da epizootia canina nos municípios de Corumbá e Ladário, a partir da introdução de animal positivo pela fronteira com a Bolívia. Em 2016 foram notificados dois casos de raiva humana, um em Boa Vista/RR, transmitido por felino infectado com a variante 3 (transmissão secundária) e um caso em Iracema/CE por morcego (Desmodus rotundus), também pela variante 3. 

Em 2017, foram registrados seis casos de raiva humana, todos pela variante 3 de morcegos hematófagos (Desmodus rotundus), sendo que cinco deles em razão de agressões diretas por morcegos - três deles ocorreram em adolescentes de uma mesma família, residentes em uma reserva extrativista no município de Barcelos, estado do Amazonas, os outros dois casos ocorreram na Bahia e Tocantins.  O sexto caso se ocorreu em Pernambuco, após agressão de um gato de rua infectado com a variante 3, demonstrado a importância dos animais doméstico como transmissores secundários da raiva (“spillover”). (Tabela 3).

As campanhas anuais de vacinação de cães e gatos no Brasil associadas as demais medidas de controle, como a profilaxia antirrábica humana para pessoas expostas ao risco de contrair raiva, resultaram em significativa redução de casos de raiva humana. Em cães, consequentemente, também ocorreu redução de casos com interrupção na circulação das variantes 1 e 2 do vírus da raiva, consideradas de maior potencial de disseminação entres cães e gatos nas áreas urbanas. Nesta série histórica, no ano de 2008 não houve casos de raiva humana transmitida por cão.

O resultado das ações de vacinação antirrábica canina e felina resultaram num grande ganho para a saúde pública, permitindo que o país saísse de um cenário de mais de 1.200 cães positivos para raiva e uma taxa de mortalidade de raiva humana por cães de 0,014/100 mil habitantes em 1999, para um cenário de 13 casos de raiva canina e nenhum caso de raiva humana por cães em 2017.

Figura 2 - Taxa de mortalidade raiva humana transmitida por cão/ Nº de casos de raiva canina (1999 a 2017). taxa de mortalidade raiva humana transmitida por cao

Fonte:SVS/MS. Atualizada em 16/03/2018.

Deve-se salientar que desde 2016 os casos de raiva em cães e gatos têm sido identificados como variante 3 de morcegos hematófagos e da variante compatível com canídeos silvestres. Em 2015, na fronteira do Brasil com a Bolívia, ocorreu uma epizootia canina nos municípios de Corumbá e Ladário e um óbito humano, transmitido por cão pela variante 1, que circula na Bolívia.

Saiba mais:

Profilaxia Antirrábica Humana

A garantia da profilaxia adequada e oportuna é um desafio para a vigilância da raiva no Brasil. Em 2016, em razão de atrasos nas entregas dos imunobiológicos, os estados priorizaram as atividades de profilaxia pós-exposição, resultando numa queda no número de notificações de pré-exposição. No ano de 2017, a partir da regularização das entregas da vacina e frente as evidências apresentadas, a SVS reviu as orientações referentes ao esquema de vacinação antirrábica humana pós-exposição, com a alteração de 5 doses de vacina para 4 doses, conforme a Nota Informativa nº 26-SEI/2017-CGPNI/DEVIT/SVS/MS, de 17 de julho de 2017.

Nos anos de 2007 a 2017, 84% das mais de 5 milhões de notificações de atendimento profilático antirrábico humano pós-exposição, foram em decorrência de agressões envolvendo cães domésticos, e apenas 0,67% por morcegos. Considerando o cenário epidemiológico do Brasil, especialmente em relação a raiva humana, é necessário uma valorização da observação de cães e gatos agressores como medida de vigilância, antes da indicação de vacina/ soro + vacina como medida profilática imediata.

Saiba mais:

Raiva Animal

A vigilância da raiva animal no Brasil, englobam ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que compartilham informações referentes a casos de raiva em animais de interesse para a saúde pública como cães, gatos e animais silvestres, incluindo os casos de raiva em morcegos, hematófagos ou não e entre animais de produção como bovinos, equinos e outros.

Essas informações auxiliam na organização das ações de controle e mitigação frente aos casos de raiva em animais, buscando a prevenção de casos humanos e o bloqueio vacinal, se necessário, para impedir a disseminação do vírus entres as diferentes espécies.

Saiba mais:

Cobertura vacinal de cães e gatos

No período de 2012 a 2016, as coberturas vacinais de cães sofreram variações na quase totalidade dos municípios do país, sendo que em alguns anos, estiveram abaixo dos 80% da população canina estimada vacinada. Isso ocorreu ao longo do período em razão de atrasos nas entregas das vacinas pelo laboratório produtor e as vezes por eventuais atrasos nas programações das campanhas pelos estados. Ainda assim, o Brasil manteve-se sem registros do aumento nos casos de raiva canina ou felina, exceto em razão da epizootia de 2015 no Mato Grosso do Sul, explicada menos pela cobertura vacinal, que se manteve acima de 80% nos três anos anteriores e sim pela circulação da variante 1, que tem características de maior dispersão entre os animais.

Os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul desde 1995 não realizam campanhas massivas de vacinação canina e felina anual. Até 2015, o Paraná realizou campanhas de vacinação de cães e gatos na em municípios de fronteira com o Paraguai.

Mais informações sobre a vacinação antirrábica canina e felina podem ser obtidas no site do Programa Nacional de Imunizações http://pni.datasus.gov.br/#, no campo consultas, “anti-rábica”.

Mesmo com o cenário de estabilidade e redução no número de casos de raiva humana e de raiva em cães e gatos, são necessárias a reavaliação das ações e orientações, principalmente em relação as condutas e indicações de profilaxia, para que correspondam ao cenário epidemiológico da raiva e, atendendo aos novos desafios, incluindo o ciclo silvestre da raiva, para a vigilância e controle da raiva humana no Brasil.

 

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