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Situação Epidemiológica - Dados

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Quinta, 27 de Março de 2014, 15h30 | Última atualização em Segunda, 02 de Julho de 2018, 16h45

Até a primeira metade da década de 1980, a poliomielite apresentou alta incidência no Brasil, contribuindo, de forma significativa, para a elevada prevalência anual de sequelas físicas, observada naquele período. Em 1994, a Organização Pan-americana de Saúde/OMS certificou a eliminação da transmissão autóctone do poliovírus selvagem nas Américas, após 3 anos sem circulação desse vírus no Continente. Desde então, todos os países da região assumiram o compromisso de manter altas e homogêneas coberturas vacinais, bem como uma vigilância epidemiológica ativa e sensível para identificar, imediatamente, a reintrodução do poliovírus selvagem em cada território nacional e adotar medidas de controle capazes de impedir a sua disseminação.

No Brasil, o último caso de infecção pelo poliovírus selvagem ocorreu em 1989, na cidade de Souza/PB. A estratégia adotada para a eliminação do vírus no país foi centrada na realização de campanhas de vacinação em massa com a vacina oral contra a pólio (VOP). Essa vacina propicia imunidade individual e aumenta a imunidade de grupo na população em geral, com a disseminação do poliovírus vacinal no meio ambiente, em um curto espaço de tempo.

Dois fatores foram decisivos para a certificação de país livre da circulação autóctone de poliovírus selvagem: elevados níveis de cobertura vacinal obtidos nas campanhas nacionais, a partir de 1988, e aumento do poder imunogênico da vacina utilizada no país, pela substituição do componente P3 até então utilizado. Observa-se que, após a Certificação nas Américas, houve uma redução na sensibilidade do Sistema de Vigilância Epidemiológica, que foi recuperada somente a partir do ano 2000, como resultado de um intenso esforço institucional para aprimorar a vigilância da poliomielite, junto às unidades da federação.

Chama-se a atenção para o risco de importações de casos de países onde ainda há circulação endêmica do poliovírus selvagem (Paquistão e Afeganistão). Com isso, reforça-se a necessidade de manter ações permanentes e efetivas de vigilância da doença e níveis adequados de proteção imunológica da população.

O primeiro surto causado por um vírus derivado vacinal (PVDV) foi detectado na Ilha de Hispaniola (que pertence ao Haiti e à República Dominicana), em 2000/2001. Esse surto teve grande importância no processo de erradicação da Poliomielite, quando foram registrados 21 casos (50% na faixa etária de 1 a 4 anos).

Chama-se a atenção para a ocorrência de casos de pólio derivado da vacina em países com coberturas vacinais insuficientes e/ou heterogêneas. Ou seja, o vírus derivado da vacina passa a readquirir neurovirulência e patogenicidade, provocando surtos de poliomielite em países que já tinham a doença sob controle parcial ou total. De 2004 a 2017, ocorreram surtos em 23 países (Moçambique, Miamar, Indonésia, China, Paquistão, Nigéria, Camarões, Niger, Chade, Afeganistão, Somália, Quênia, Congo, Yemen, India, Ethiópia, Madagascar, Laos, Ucrânia, Síria, Guiné, Sudão e Camboja).

Salienta-se que o controle da circulação do poliovírus derivado da vacina é o mesmo desenvolvido para poliovírus selvagem: alcançar e manter altas e homogêneas coberturas vacinais.

O monitoramento da ausência de circulação de poliovírus selvagem no Brasil é feito a partir da vigilância das Paralisias Flácidas Agudas (VE_PFA/Pólio). Todo caso de PFA em menores de quinze anos, independente da hipótese diagnóstica, deve ser notificado, investigado imediatamente, digitado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), coletado uma amostra de fezes até o 14º dia do início do déficit motor para isolamento viral e esclarecimento diagnóstico, ter reavaliação neuromuscular realizada (revisita) para avaliação de sequela neurológica aos 60 dias do início da deficiência motora, e ser encerrado no sistema em até 60 dias após a notificação.

A VE_PFA é avaliada com base nos seguintes indicadores de desempenho operacional:

1) Taxa de notificação,
2) Investigação epidemiológica em até 48 horas;
3)Coleta de uma amostra oportuna de fezes e; 
4) Proporção de notificação semanal negativa/positiva. 

Exceto a taxa de notificação que é de no mínimo (1 caso/100.000 < 15 anos), os demais indicadores a meta mínima esperada é de  80%.

>> Tabela série Histórica. Região Brasil 1968 a 1989
>> Gráfico série Histórica. Brasil 1968 a 1989

>> Gráfico série histórica

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