Ir direto para menu de acessibilidade.

Opções de acessibilidade

Início do conteúdo da página

Alerta aos profissionais atuantes na Vigilância Epidemiológica das Paralisias Flácidas Agudas (PFA/Pólio)

Escrito por alexandreb.sousa | | Publicado: Quarta, 27 de Janeiro de 2016, 14h34 | Última atualização em Quarta, 27 de Janeiro de 2016, 14h50

 

Alerta aos profissionais atuantes na Vigilância Epidemiológica das Paralisias Flácidas Agudas (PFA/Pólio) e nos Núcleos Hospitalares de Epidemiologia (NHE) estaduais para a Erradicação Global da Poliomielite

 

I- REFERENTE AO HISTÓRICO DA POLIOMIELITE NO BRASIL E O PLANO ESTRATÉGICO PARA A ERRADICAÇÃO GLOBAL:

 

                        Os últimos casos de poliomielite no Brasil ocorreram em 1989 e, em 1994, o país recebeu da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem do seu território, juntamente com os demais países das Américas.

                        O Plano Estratégico para a Erradicação da Poliomielite (Fase Final 2013-2018) prevê o alcance simultâneo da erradicação dos poliovírus selvagem e da eliminação dos poliovírus de origem vacinal (Sabin e derivados da vacina). Os objetivos desse Plano são detectar e interromper a transmissão do poliovírus; fortalecer os programas de imunização, com retirada da vacina trivalente oral da poliomielite (tVOP), inicialmente pelo componente tipo 2, com substituição da tVOP pela bivalente oral contra a poliomielite (bVOP); manter a certificação de país livre da circulação de poliovírus, além de contribuir para a erradicação global da pólio.

                        Segundo dados registrados pela OPAS/Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda há 02países (Afeganistão e Paquistão) com circulação endêmica do poliovírus selvagem. Esse cenário demonstra que a erradicação global da poliomielite está cada vez mais próxima. No entanto, há preocupação quanto à ocorrência da importação do poliovírus selvagem e/ou de casos de Poliomielite por Vírus Derivado da Vacina (PVDV) devido à extensão territorial com livre acesso de estrangeiros no Brasil, bem como em áreas com baixa cobertura vacinal.

                        A vigilância epidemiológica das Paralisias Flácidas Agudas (PFA) continua sendo estratégia prioritária, com o objetivo de detectar precocemente a circulação do poliovírus selvagem e/ou derivado da vacina no Brasil. Nessa vigilância, define-se todo caso de PFA, em menores de 15 anos, ou suspeita de poliomielite em indivíduo de qualquer idade procedente de países com circulação de poliovírus selvagem nos últimos 30 dias, a ser notificado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e investigado imediatamente. Após notificação do caso, coletar uma amostra de fezes até o 14º dia do início do déficit motor para o esclarecimento do diagnóstico e encerrá-lo em até 60 dias após a notificação no sistema de informação. 

                       No Brasil, a qualidade da vigilância epidemiológica das PFA é avaliada com base nos seguintes indicadores de desempenho operacional: 1) Taxa de notificação (1 caso/100.000 habitantes nos menores de 15 anos); 2) Investigação em 48 horas; 3) Coleta oportuna de fezes e 4) Notificação negativa/positiva semanal, com meta mínima de 80%.

                        Em 2014, o Brasil atingiu a meta dos indicadores de qualidade da vigilância epidemiológica das PFA, exceto o indicador coleta oportuna de fezes. Salientamos que a baixa taxa de notificação e o não cumprimento do indicador coleta oportuna de fezes mostra a vulnerabilidade à detecção precoce da circulação do poliovírus selvagem e/ou ao derivado da vacina no país.

                        Para que a vigilância das PFA torne-se cada vez mais ativa e sensível, é imprescindível a realização de busca ativa de casos nas unidades de saúde a fim de garantir que todos sejam notificados e investigados oportunamente para o diagnóstico precoce e seguro. A notificação de todos os casos de PFA em menores de 15 anos, a partir da busca ativa, e a coleta oportuna de fezes, principal critério no descarte para poliomielite, possibilita correta classificação/encerramento dos casos no sistema de informação.

                        Com a retirada da tVOP e a sua substituição pela bVOP no SUS,  deve-se estar atento à ocorrência de casos de poliomielite no território brasileiro. Dessa forma, reiteramos a atuação, de forma integrada e articulada, pelos trabalhadores de saúde, NHE, autoridades e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) em todos os níveis de gestão, bem como da rede privada, a fim de contribuir com a erradicação global da poliomielite.

 

II- ORIENTAÇÕES REFERENTES AOS FLUXOS DE NOTIFICAÇÃO DOS CASOS DE PARALISIA FLÁCIDA AGUDA/POLIOMIELITE:

 

a)                 Caso Suspeito SEM HISTÓRIA DE VIAGEM a países com circulação de poliovírus selvagem:

SINAN/Vigilância Epidemiológica: Todo caso de PFA, em MENORES de quinze anos de idade, independente da hipótese diagnóstica, com notificação obrigatória e investigação imediata. O fluxo inicia-se a partir da unidade de saúde notificadora com o preenchimento da ficha de investigação epidemiológica individual (FIE) do SINAN, repassado para todos os níveis de gestão da vigilância epidemiológica (SMS → SES → MS), até o encerramento final do caso no sistema de informação.

b)                 Caso Suspeito COM HISTÓRIA DE VIAGEM a países com circulação de poliovírus selvagem:

CIEVS: Todo caso de deficiência motora flácida, de início súbito, em indivíduo de QUALQUER IDADE, com história de viagem a países endêmicos ou com circulação de poliovírus selvagem nos últimos 30 dias. Esse fluxo inicia-se a partir da notificação imediata via CIEVS:  notifica@saude.gov.br

 

III- CONCLUSÃO

 

O Ministério da Saúde recomenda às vigilâncias epidemiológicas das Secretarias Estaduais e Municipais da Saúde, intensificação:

- das ações de imunização nos menores de cinco anos na rotina para o cumprimento das metas de coberturas vacinais por município, com meta ≥ 95%, conforme preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI/MS); 

- das ações de notificação/investigação imediatas (em até 48 horas) de todos os casos de PFA, para garantir coleta oportuna de amostra de fezes (até 14 dias do início da deficiência motora); e

- do monitoramento dos casos até o encerramento final nos sistemas de informações, com retroalimentação às unidades notificadoras.

Fim do conteúdo da página